Yoani Sánchez, uma das principais repórteres independentes de Cuba, é solta após detenção

Yoani Sánchez, uma das profissionais mais conhecidas do jornalismo independente em Cuba , foi detida nesta quinta-feira (6) em Havana , afirmou o jornal digital 14ymedio, fundado e dirigido por ela desde 2014. Horas depois, na noite desta quinta, ela foi solta

Por Admin ·

Yoani Sánchez, uma das principais repórteres independentes de Cuba, é solta após detenção

Segundo o 14ymedio, a justificativa apresentada a Sánchez durante a custódia foi a acusação de que ela teria "atentado contra a ordem constitucional". O regime cubano, porém, não havia se manifestado publicamente sobre a detenção até a publicação deste texto. A acusação foi divulgada pela própria jornalista e pelo veículo que dirige, sem detalhes oficiais sobre os fatos imputados ou eventuais provas.

Sánchez, 51, "foi sequestrada pela polícia política" quando saía de sua casa no bairro de Nuevo Vedado "para fazer compras" pela manhã, segundo o jornal .

O 14ymedio, veículo cujo objetivo declarado é denunciar a censura e o assédio das autoridades cubanas contra opositores, além de criticar regularmente a gestão do regime, afirma que Sánchez contou aos colegas de trabalho que sairia brevemente de casa, mas, dez minutos depois, "conseguiu avisar" a Redação do que estava acontecendo por meio de "uma mensagem sucinta" enviada de seu celular.

A repórter recebeu, em 2008, o Prêmio Ortega y Gasset, uma das principais láureas do jornalismo em língua espanhola, e a revista americana Time a incluiu naquele mesmo ano na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo .

Assim como outros jornalistas independentes em Cuba, ela sofre episódios frequentes de assédio por parte da polícia política, que costuma impedir os repórteres de sair de casa para cobrir acontecimentos de especial relevância.

O veículo ressaltou como esse tipo de ação está se tornando comum em Havana. De acordo com informações do 14ymedio, dois outros jornalistas já foram presos nessa semana.

Adelth Bonne Gamboa, colaborador do CubaNet , teria sido "detido violentamente por agentes policiais" na segunda-feira (2). Ele foi libertado horas depois, mas foi multado por suas publicações nas redes sociais e teve equipamentos apreendidos, além de ameaças de novas detenções.

Já na terça-feira (3), Camila Acosta, também colaboradora do CubaNet, foi detida por agentes de segurança pela manhã e levada a uma delegacia.

Segundo o relato da repórter na quarta-feira (4), os policiais "inutilizaram seu celular" e lhe entregaram um termo de advertência para que não divulgue imagens de funcionários públicos, pois "poderia responder por um crime contra a privacidade pessoal"