Nos dois casos, a candidata democrata mantém uma pequena vantagem, mas os motivos para a ausência de uma definição são bastante diferentes.
A disputa pelo Senado no Alasca pode levar dias ou semanas para ser definida. Mary Peltola, candidata democrata, tinha uma vantagem inferior a mil votos na tarde de quarta-feira (4), mas quase um quarto do total de votos esperado ainda não havia sido contabilizado.
A maior parte dos votos restantes corresponde a cédulas enviadas pelo correio. Algumas foram depositadas próximo ao dia da eleição, enquanto outras foram postadas até o dia da votação e ainda serão recebidas nos dias seguintes. Um número menor de votos antecipados presenciais também continua pendente de apuração.
O prazo para apurar todas as cédulas, inclusive os votos provisórios, é 18 de novembro. Essa também é a data em que começará a apuração pelo sistema de votação por ordem de preferência (ranked-choice voting), caso nem Peltola nem o senador Daniel Sullivan, o republicano que ocupa o cargo, ultrapassem o patamar de 50% necessário para vencer a eleição no primeiro turno.
Embora os votos enviados pelo correio e recebidos mais tardiamente normalmente favoreçam os democratas, diversos fatores podem reduzir a possível vantagem de Peltola. Entre eles estão o número de cédulas que ainda serão recebidas e a quantidade de eleitores que não classificaram candidatos adicionais além de sua primeira opção. Há também a presença potencialmente complicadora dos outros dois candidatos na cédula: Gerald L. Heikes e Daniel J. Sullivan Jr..
Uma análise do The New York Times dos dados disponíveis sobre a votação por ordem de preferência, extraídos das células de cada eleitor, mostra que mais de um terço colocar Heikes ou Daniel J. Sullivan Jr. como primeira opção não classificaram nenhum outro candidato. Isso significa que essas cédulas não seriam contabilizadas em favor de Peltola ou do senador Sullivan nas rodadas seguintes da apuração pelo sistema de votação por ordem de preferência.
Até a noite de quarta-feira, Scott Colom, candidato democrata no Mississippi, tinha uma vantagem de aproximadamente mil votos sobre a senadora Cindy Hyde-Smith, atual ocupante republicana do cargo. Como a diferença é tão pequena, a Associated Press talvez não consiga declarar um vencedor antes que o estado certifique oficialmente o resultado.
O Mississippi é, em certa medida, uma exceção, pois não possui um mecanismo de recontagem automática e tampouco dispõe de um procedimento que permita a um candidato contestar formalmente a eleição. Assim, seria necessária uma ordem judicial para iniciar uma recontagem.
Praticamente todos os votos já foram contabilizados, mas ainda há algumas cédulas provisórias —concedidas a eleitores cuja elegibilidade para votar precisa ser verificada— aguardando apuração, assim como algumas cédulas enviadas pelo correio que chegaram com atraso. Segundo o secretário de Estado do Mississippi, há aproximadamente 3.600 cédulas enviadas pelo correio ainda pendentes, que poderão chegar a tempo de serem contabilizadas.
Em junho, a Suprema Corte do Mississippi decidiu que o estado deve aceitar cédulas enviadas pelo correio que cheguem até a terça-feira seguinte ao dia da eleição —neste ano, 10 de novembro. Os votos provisórios no estado também devem ser contabilizados até essa data.
Para que uma cédula provisória seja aceita, o eleitor precisa apresentar identificação adequada às autoridades eleitorais, obter uma carteira estadual de identificação eleitoral ou apresentar uma declaração de isenção por motivos religiosos.