22/10/2026 03h30 Atualizado 22/10/2026 11h20
Após uma votação com diferença pequena entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e com pesquisas eleitorais sugerindo que essa distância se estreitou, a eleição para presidente deve ser decidida em poucos círculos de eleitores no Brasil. O mapa de onde estão os votos para serem capturados em cada cidade revela onde isso vai se dar.
Pesquisa Quaest: Número de indeciso dobra e chega a 14% na pesquisa espontânea 'Contagem regressiva': acompanhe a live de Vera Magalhães com os colunistas Lauro Jardim e Fabio Graner
Para mostrar esse cenário, O GLOBO mapeou em todos municípios do país quem são os eleitores "soltos": aqueles que votaram em outros candidatos, anularam o voto, votaram em branco ou não compareceram à seção eleitoral no primeiro turno.
O mapa abaixo indica em resumo, onde estão todos aqueles que não votaram em Lula nem Flávio em 4 de outubro. Partindo do princípio de que os votos lulistas e bolsonaristas da primeira etapa já estão cristalizados (uma virada de voto entre PL e PT é algo raro), são os votos dessas pessoas que restaram para serem capturados e definirem a eleição.
Para aumentarem suas votações no dia 25 de outubro, os candidatos remanescentes tiveram de buscar os eleitores soltos do primeiro turno, que foram 30,5%. Os outros 69,5% são os que foram repartidos por Lula (34%), e Flávio (35,5%).
Reta final: Flávio tem 45%, e Lula marca 44%; distância diminui a quatro dias da eleição, mostra Quaest
Não é pouca gente que deixou de apoiar os postulantes ao cargo de presidente que chegaram ao segundo turno: são 48,1 milhões de pessoas. Elas estão, porém, espalhadas de forma desigual pelo país e representando categorias diferentes de eleitor.
Uma análise de como elas se distrubuem mostra como a migração de votos pode se dar em cada setor.
O primeiro fator de desequilíbrio é relacionado ao tipo de voto para ser conquistado. Um a cada três eleitores soltos no país deixou de votar em Lula ou Flávio porque nem sequer compareceu ao local de votação.
A taxa de abstenção de 21% no Brasil como um todo variou de 5% a 40%, dependendo do município, e afetou tanto lugares como o norte de Minas Gerais e o norte do Amazonas (onde Lula foi mais votado) quanto o sul do Rio Grande do Sul e o Mato Grosso do Sul (onde Flávio venceu por margem pequena).
Se, no segundo turno, um aumento no comparecimento em determinado lugar favorece o candidato mais votado ali na primeira etapa, essa distribuição é sinal ruim para Lula. Será difícil reduzir a abstenção no Nordeste, que já foi baixa, e os lugares onde Flávio tem a ganhar mais com o comparecimento são mais populosos.
Outro fator de concentração de votos soltos é, claro, demográfico. Um a cada quatro desses eleitores indefinidos está nas capitais do país, que são as cidades mais populosas de cada estado.
Nesses centros urbanos, a diferença de Flávio para Lula no primeiro foi ainda menor (34,6% contra 33,8% do eleitorado), e ali a proporção de votos válidos em candidatos alternativos foi um pouco maior.
Os chamados nanicos são outra variável que deixa o mapa de eleitores soltos embaralhado. Pesquisas detectaram que os votos dos candidatos de direita não classificados têm uma maior tendência a migrar para Flávio, mas em intensidades diferentes.
Os quatro eliminados mais bem colocados somaram 7,5% dos votos válidos: Augusto Cury (2,89%), Renan Santos (2,24%), Ronaldo Caiado (2,18%) e Romeu Zema (0,27%).
Caiado e Zema, por afinidade ideológica, são apontados como aqueles com maior potencial de conversão de votos para Flávio, mas tiveram desempenho pior nesses subgrupo, e votação muito concentrada nos estados que governaram (Goiás e Minas Gerais, respectivamente).
Cury e Renan, pelo perfil mais "anti-sistema", podem ter mais eleitores capturáveis para Lula, e tiveram distribuição de votos razoavelmente uniforme pelo país, com poucos sobressaltos. Cury teve um aglomerado de votantes no sul de Minas. Renan teve desempenho um pouco melhor na região metropolitana de São Paulo e nas capitais de estados da região Sul.
O quarto fator a ser considerado no mapa de eleitores soltos são os votos inválidos: os nulos e brancos, que juntos somaram quase 6 milhões no primeiro turno.
Os votos nulos, que foram 2,93% do total, são aqueles contabilizados quando o eleitor digita um número de candidato inexistente e aperta a tecla "confirma". Os brancos, que foram 1,84%, são contados quando o eleitor aperta a tecla "branco" na urna.
Para efeito da contagem de votos final, não há diferença entre brancos e nulos, pois ambos são inválidos. Curiosamente, a distribuição geográfica desses dois tipo de voto tem certo desequilíbrio no país.
Os dados do TSE mostram que, enquanto os votos brancos são mais comuns no Sul e Sudeste do país, os nulos são um pouco mais concentrados no Nordeste.
Tradicionalmente, a literatura acadêmica aponta que a anulação do voto é um sinal mais explícito de protesto, enquanto o voto em branco sinalizaria conformismo. Essa lógica, porém, mudou com o advento da urna eletrônica, e o nulo passou contabilizar também muitas pessoas que simplesmente erram o número do candidato.
Votos inválidos, de qualquer maneira, são mais comuns em segundo turno do que em primeiro, e particularmente difíceis de conquistar entre uma etapa e outra, mostra o histórico de eleições no Brasil. Isso adiciona um grau a mais de dificuldade para que Lula e Flávio ampliem sua votação avançando nesses eleitores.
O vitorioso deve ser, por fim, aquele que tiver capacidade de conquistar votos indefinidos de todas as formas e locais possíveis.
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pede revisão de solicitações negadas e mobilização de veículos, embarcações e apoio federal para o segundo turno
Enquanto a operação de carne bovina nos EUA deve voltar ao azul, o negócio brasileiro pode registrar queda de quase 40% no Ebitda, pressionado pelo esgotamento da cota anual de importações da China
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) alertaram que 27 pessoas adoeceram e cinco foram hospitalizadas com salmonela
Presidente americano usa recursos arrecadados por seu principal super PAC para impulsionar candidatos republicanos e preservar o controle do Congresso
Iniciativa já havia sido adotada no primeiro turno das eleições
Conhecido por ostentar nas redes sociais, Gustavo Gonçalves Porto Melo estava, segundo os investigadores, com pistola de policial federal aposentado
Índice de qualidade do ar chegou a 226 nesta quinta-feira, nível considerado ruim; monumentos e bairros ficaram encobertos por uma mistura de fumaça e partículas poluentes
Mais de 500 personalidades foram selecionadas para votar nas 10 melhores séries lançadas a partir de 2000. Entre os votantes, estão nomes como Lena Dunham, Elisabeth Moss, Adam Scott e Bryan Cranston
Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.