Resultado negativo foi impulsionado por queda de 50% nas vendas na China
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Londres | Financial Times A Volvo anunciou nesta sexta-feira (23) que demitirá mais 2.500 pessoas e teve um prejuízo líquido de 5,7 bilhões de coroas suecas (R$ 1,27 bilhão) no terceiro trimestre, ante um lucro de 4,5 bilhões de coroas suecas no mesmo período do ano passado.
Após a divulgação do resultado, as ações da montadora sueca despencaram até 30%, atingindo a mínima histórica. A empresa alertou ainda que pode adotar "medidas adicionais", mas não especificou quais.
A montadora controlada pela Geely já havia emitido um alerta sobre os lucros no início deste mês e retirado suas projeções anuais. A Volvo afirmou que precisará cortar mais 5 bilhões de coroas suecas (R$ 2,54 bilhões) em custos, incluindo a redução de cerca de 6% de sua força de trabalho.
A montadora disse que sofreu uma queda de quase 50% na receita na China em relação ao ano passado e que reavaliou a receita que esperava obter com a venda de créditos regulatórios a concorrentes, depois que o governo Trump revogou normas destinadas a reduzir as emissões dos veículos.
No trimestre, a receita recuou 23% na comparação anual, para 66,9 bilhões de coroas suecas (R$ 33,95 bilhões), enquanto a empresa registrou uma saída de caixa de quase 9 bilhões de coroas suecas (R$ 4,57 bilhões).
"Há um mercado baseado em carros globais que são apenas montados localmente. Esse mercado, acredito, ainda não chegou ao fundo do poço. Está caminhando para zero", disse o presidente-executivo, Håkan Samuelsson.
Ele declarou que o grupo está lançando carros produzidos localmente, com software chinês e uma plataforma de menor custo desenvolvida pela Geely, o que o tornará mais competitivo nos próximos anos.
"Esta é uma queda muito acentuada, e espero que vejamos algum tipo de estabilização, mas não acho que devamos esperar uma melhora real [no futuro imediato]", comentou Samuelsson, alertando que ainda era cedo demais para descartar medidas adicionais que a empresa talvez precise adotar para reduzir custos.
Montadoras ocidentais —da Volkswagen e Porsche à BMW e Jaguar Land Rover— estão reduzindo seus quadros de funcionários diante do aumento da concorrência de rivais chinesas, das tarifas dos Estados Unidos e da alta dos custos das matérias-primas provocada pelo conflito no Oriente Médio.
A Volvo, porém, foi particularmente afetada pela queda nas vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in na China e nos Estados Unidos, mesmo após realizar reduções significativas de custos e ampliar as sinergias com o Grupo Geely por meio do compartilhamento de componentes automotivos.