Quando se fala em câncer de pele, é comum pensar em pintas ou manchas em regiões como rosto, braços e ombros, áreas frequentemente expostas ao sol. Mas a doença também pode aparecer em partes menos observadas do corpo, como couro cabeludo, plantas dos pés, palmas das mãos, região genital e sob as unhas. Nesses locais, as alterações podem passar despercebidas por mais tempo, especialmente porque nem sempre apresentam a aparência tradicional de uma pinta escura.
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A exposição solar é um dos principais fatores de risco, mas não explica todos os casos. Predisposição genética, histórico familiar, baixa imunidade e determinadas condições de saúde também podem influenciar o desenvolvimento da doença. Algumas formas de melanoma, inclusive, têm menor relação com a radiação ultravioleta.
"Nem todo melanoma tem o aspecto clássico de uma pinta escura. Algumas lesões têm pouca cor ou aparecem como uma alteração discreta, o que dificulta a identificação", observa a dermatologista Lidia Machado , que realiza acompanhamento de pintas há 11 anos na Clínica Piquet, no Leblon.
A médica chama atenção para a importância de observar não apenas as regiões mais expostas, mas toda a superfície do corpo. Pessoas com muitas pintas, especialmente aquelas com formatos e tonalidades irregulares, histórico familiar de melanoma, pele clara ou exposição solar intensa ao longo da vida devem ter atenção especial. Isso não significa, porém, que a quantidade de pintas determine o aparecimento da doença.
"Ter muitas pintas não significa que a pessoa vai desenvolver melanoma, assim como ter poucas não elimina o risco", afirma Lidia. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 9,3 mil novos casos de melanoma por ano até 2028.
Como identificar mudanças nas pintas?
Uma das formas de acompanhar possíveis alterações é o mapeamento corporal, exame que registra as pintas para permitir a comparação entre diferentes consultas. As fotografias ajudam a identificar lesões que surgiram recentemente ou que apresentaram mudanças de tamanho, formato e cor.
O procedimento pode incluir imagens ampliadas com um dermatoscópio digital, equipamento que permite observar características da pele que não são facilmente identificadas a olho nu. Os registros ficam disponíveis para avaliações posteriores, facilitando a percepção de mudanças sutis.
Esse acompanhamento é relevante porque o melanoma pode se desenvolver a partir de uma pinta preexistente ou aparecer em uma região onde não havia nenhuma lesão. A comparação das imagens também ajuda a identificar uma pinta que destoa das demais, mesmo quando suas características não parecem inicialmente preocupantes.
Em alguns consultórios, ferramentas de inteligência artificial são utilizadas como apoio na análise das imagens. Esses sistemas podem apontar características como assimetria, bordas irregulares e variações de cor, mas não substituem a avaliação médica nem determinam, isoladamente, a necessidade de uma biópsia.
Quem deve fazer o mapeamento corporal?
O exame costuma ser indicado principalmente para pessoas com muitas pintas, lesões atípicas ou histórico familiar de melanoma. A frequência do acompanhamento varia conforme o perfil de cada paciente e pode ser semestral ou anual nos casos de maior risco.
Para quem apresenta poucas pintas e não tem fatores de risco relevantes, a avaliação dermatológica convencional pode ser suficiente. Ainda assim, o surgimento de uma nova lesão ou a mudança de uma pinta já conhecida merece atenção, sem necessidade de esperar pela próxima consulta de rotina.
A orientação é observar alterações persistentes, como crescimento, mudança de tonalidade, irregularidade das bordas ou diferenças em relação às outras pintas do corpo. Nem toda mudança representa câncer, mas a avaliação profissional permite identificar quais casos precisam de investigação.
Você olha para todas as suas pintas? Algumas regiões do corpo costumam passar despercebidas
Quando se fala em câncer de pele, é comum pensar em pintas ou manchas em regiões como rosto, braços e ombros, áreas frequentemente expostas ao sol. Mas a doença também pode aparecer em partes menos observadas do corpo, como couro cabeludo,