27/10/2026 03h30 Atualizado 27/10/2026 08h23
Temos que fazer um ato. Foi a mensagem enviada às 21h45 de 4 de outubro pelo estudante João Paulo Pimenta Armando, de 22 anos, no grupo de WhatsApp com outros dois colegas do curso de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tinha recebido 47,03% dos votos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou com 45,16%. Os três decidiram hastear na frente do campus do Ingá, em Niterói, a bandeira “Direito UFF Antifascista”, na manifestação em apoio ao petista que daria início a uma avalanche de atos pelo país e ajudou na melhora da esquerda no estado no segundo turno. Armando conta que a intenção inicial era marcar posição, e não começar um movimento.
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— A ideia era fazer um ato para os estudantes de Direito no salão da faculdade e hastear a bandeira antifascista. No evento, as pessoas pediram para irmos para a rua e fomos, sem nada combinado — lembra o estudante, que só teve proporção da repercussão do feito quando chegou em casa e constatou a viralização dos vídeos da manifestação.
O grupo promoveu mais duas delas em Niterói, mas a cidade teve ao todo 15 atos pró-Lula nos 21 dias do segundo turno. Também idealizadora do protesto, Luisa Valentina Costa, de 19 anos, conta ter chorado na noite de domingo, quando Lula foi anunciado mais uma vez presidente. Parte da emoção veio de saber que tinha contribuído para o resultado:
— Sonho com o Lula vindo na universidade e a gente tirando uma foto, para eu colocar na parede e lembrar sempre que fiz parte desse tetra — torce Valentina, que veio da Bahia para o Rio de Janeiro para estudar, era antipetista por influência da família até a pandemia, mas quando perdeu a avó por causa da Covid, passou a rejeitar a família Bolsonaro.
A bandeira hasteada pelo grupo faz parte do acervo da faculdade desde 2018. Foi criada após o primeiro turno das eleições daquele ano, para manifestar a posição contrária dos estudantes com a iminente eleição de Jair Bolsonaro à Presidência. Na época, foi retirada por fiscais do Tribunal Regional Eleitoral, que alegaram em propaganda política irregular. Após uma liminar, foi recolocada.
— Queríamos tirar as idades do papel e pendurar na fachada para mostrar nosso posicionamento com veemência — lembra João Boechat, ex-líder estudantil que a criou.
Não foi o primeiro embate dos estudantes da UFF com a família Bolsonaro. Em 2011, quando ainda era deputado federal, Jair Bolsonaro foi expulso do campus, onde tinha sido convidado para uma palestra. O incidente aconteceu após o político ofender a memória de Fernando Santa Cruz, estudante da universidade morto na ditadura.
O clima na UFF é de orgulho da atuação dos estudantes. A promessa deles é permanecer nas ruas e ajudar o governo Lula nas batalhas com o Congresso. Ontem, eles fizeram um ato em Niterói para comemorar a vitória do petista.
— Foi um espetáculo ver os estudantes mostrando mais uma vez que são defensores da democracia plena — elogia o reitor eleito da instituição, Roberto Salles.
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