Vídeo mostra descarte de corpo na zona oeste de SP, e investigação vê indício de ação articulada

A morte de um homem cujo corpo foi encontrado em um terreno baldio na rua Paulo da Silva, no Jardim do Lago, região do Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, ampliou para 13 a quantidade de cadáveres encontrados em vias da capital desde o di

Por Admin ·

Vídeo mostra descarte de corpo na zona oeste de SP, e investigação vê indício de ação articulada

O corpo de Jean Victor Sousa Guimarães foi localizado na noite de quinta-feira (22). Imagens do descarte podem ajudar a esclarecer a dinâmica usada pelos criminosos.

O vídeo mostra o corpo sendo retirado do porta-malas de um Renault Sandero preto e lançado no terreno. Minutos antes, segundo a investigação, homens com toucas cobrindo o rosto estiveram no endereço para avaliar as condições do terreno.

Para a Polícia Civil, isso indica ajuste prévio entre os envolvidos, com planejamento, divisão de tarefas e atuação conjunta.

Guimarães foi encontrado com as mãos amarradas e um saco na cabeça, situação semelhante à de outros cadáveres que seguem em investigação pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).

O corpo tinha cinco lesões compatíveis com tiros, sem orifícios de saída. A apuração inicial indica que ele foi morto em outro local e teve o corpo transportado até o terreno.

Familiares passaram informações que ajudaram a Polícia Civil a traçar o perfil dele. A vítima, que nasceu em Valença (BA), tinha histórico de uso de drogas e de pequenos furtos, conforme os parentes. Quando trabalhava em Santos, no litoral paulista, teria se desentendido com um colega, e os dois puxaram facas. Ele foi então demitido e voltou a morar com uma tia.

Guimarães estava desaparecido desde a tarde de quarta-feira (21), quando disse à tia que ia comprar um lanche.

Até aqui, não há uma conclusão efetiva sobre o que pode estar por trás dos casos, e a SSP (Secretaria da Segurança Pública) tem descartado relação direta entre as mortes.

A postura da polícia tem se voltado a negar a existência de um criminoso em série que seria o responsável por todas as ocorrências, uma vez que elas se deram em bairros distintos e com características próprias.

De janeiro a agosto, a cidade registrou 304 vítimas de homicídio doloso (com intenção), uma média de pouco mais de um caso por dia no período. Os dados mensais da SSP não detalham quantas vítimas são encontradas em via pública, o que impede uma comparação quantitativa em relação aos registros mais recentes.

Em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 350 registros, os homicídios estão em queda.

Em vídeo divulgado pelas redes sociais, o secretário Osvaldo Nico Gonçalves reforçou não ter encontrado indício de os crimes terem sido praticados pela mesma pessoa. "Estamos trabalhando muito nisso e aguardando os laudos."

Na mesma publicação, o delegado-geral, Artur Dian, disse que eventuais semelhanças entre as ocorrências estão sendo checadas. "Estamos trabalhando para poder esclarecer todos os casos."

Segundo ele e a diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, as motivações avaliadas são distintas e haveria caso até de vítima ligada ao tráfico de drogas em outro estado.

O governo evita afirmar que os crimes têm ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), ainda que especialistas ressaltem o modelo adotado em tribunais do crime, onde integrantes e não integrantes da facção são submetidos a execuções sumárias.

A punição com morte nesse contexto é geralmente reservada a casos considerados mais graves, como diante de acusações de desvio de recursos do grupo e de homicídios e agressões físicas anteriores não autorizados pela facção.