Veja quem são os diplomatas indígenas e quilombola que assumiram no Itamaraty pela 1ª vez na história

Uma conquista histórica: Pela primeira vez, dois diplomatas indígenas e uma mulher quilombola tomaram posse como no Itamaraty, em Brasília. Marcelo Kariri Meneses, Idjahure Achkar de Mendonça Pinto e Helen Jaine Gomes Borgens venceram um do

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Veja quem são os diplomatas indígenas e quilombola que assumiram no Itamaraty pela 1ª vez na história

Uma conquista histórica: Pela primeira vez, dois diplomatas indígenas e uma mulher quilombola tomaram posse como no Itamaraty, em Brasília. Marcelo Kariri Meneses, Idjahure Achkar de Mendonça Pinto e Helen Jaine Gomes Borgens venceram um dos concursos mais difíceis do país e agora vão representar o Brasil na carreira diplomática.A cerimônia foi realizada esta semana, no Palácio Itamaraty, com a presença de ministros, familiares e do escritor indígena Ailton Krenak. Os três integram uma turma de 60 novos diplomatas, dos quais 27 pertencem a grupos historicamente pouco representados no Ministério das Relações Exteriores.A conquista também marca um recorde feminino: 45% dos novos diplomatas são mulheres, a maior participação proporcional já registrada pelo Instituto Rio Branco. E as histórias dos três brasileiros que chegaram agora à diplomacia mostram como a educação pode abrir portas antes inacessíveis.Quem é Helen Jaine Gomes Borgens, a primeira diplomata quilombolaHelen tem 25 anos, nasceu em Goiânia e cresceu na comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás. Ela se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2025. A jovem precisou superar a falta de estrutura educacional na pequena cidade onde cresceu. Como não havia professores de inglês com a formação necessária para prepará-la para a carreira diplomática, aprendeu o idioma por conta própria.O sonho começou em 2017, quando um professor de História de um cursinho preparatório para o Enem apresentou a ela a profissão de diplomata. Durante a faculdade, Helen chegou a pensar em desistir do curso, mas foi incentivada pela mãe a continuar.Sua maior inspiração sempre foi a avó, Brasilina Duques Borges, conhecida como dona Miúda, que valorizava a educação e conseguiu ver os sete filhos concluírem o ensino superior. Em entrevista à Universidade Federal de Goiás, Helen contou que gostaria de chegar um dia ao posto de embaixadora. Mas destacou que, acima de tudo, quer representar um Brasil que ainda tem pouca presença nos espaços diplomáticos.Leia mais notícia boaTeste da escala 5×2 na C&A, farmácias e supermercados reduz faltas e melhora produtividadeBrasileira superdotada de 5 anos é ouro em olimpíada internacional de matemática em SingapuraIBGE abre 27 mil vagas em todo o Brasil: salário de R$ 5,5 mil e só precisa ter ensino fundamentalQuem é Marcelo Kariri Meneses, da ParaíbaNatural de Campina Grande, na Paraíba, Marcelo pertence ao povo indígena Kariri. Ele é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e possui MBA em Digital Business pela USP/Esalq. Entre 2021 e 2025, trabalhou como engenheiro de suporte de produtos. Também é escritor e lançou, em 2026, o livro infantojuvenil de ficção histórico-fantástica “O meu pé esquerdo favorito”.Durante a cerimônia de posse, Marcelo lembrou que, na região onde a família vivia, existia o preconceito de que pessoas como ele não deveriam estudar e precisariam se limitar aos trabalhos braçais. Mas a mãe pensava diferente e fez da educação o caminho para transformar a vida do filho. “Minha mãe viu na educação uma porta para a vida”, contou.Marcelo também destacou que quer ajudar outros indígenas a conquistar oportunidades semelhantes. “Cheguei, então tenho que trazer mais pessoas comigo”, afirmou.Quem é Idjahure Achkar, do povo TerenaIdjahure Achkar de Mendonça Pinto Kadiwel pertence ao povo indígena Terena e tem uma trajetória ligada à educação, à pesquisa e à valorização das culturas indígenas brasileiras. Ele é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre na mesma área pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e formado em Ciências Sociais pela PUC-Rio.Idjahure também é filho do artista Macsuara Kadiwéu, reconhecido como o primeiro ator indígena do cinema brasileiro. Antes de entrar para o Itamaraty, participou do Programa Guatá, iniciativa que apoia a formação e a mobilidade acadêmica internacional de pesquisadores indígenas.Para ele, ocupar um cargo na diplomacia significa superar uma longa história de exclusão dos povos originários dos espaços de decisão do país. O novo diplomata defende que a diversidade étnica brasileira esteja presente também nas instituições que representam o país no exterior.Turma mais diversa da história do ItamaratyA chegada dos três diplomatas foi possível após a inclusão de vagas específicas para indígenas e quilombolas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2026.A nova turma tem 60 integrantes, incluindo 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, dois indígenas e uma quilombola, conforme a classificação divulgada pela Agência Brasil. A reserva de vagas faz parte da política de ações afirmativas ampliada pela Lei nº 15.142, de 2025.Durante a cerimônia, o escritor Ailton Krenak comemorou a presença dos povos originários no Itamaraty. “Mas ver essa diversidade de jovens me enche de esperança”, afirmou.Os novos diplomatas passam pela formação do Instituto Rio Branco, em Brasília, prevista para terminar em 2028, antes de assumir plenamente suas atividades na representação internacional do Brasil.Assista aos vídeos dos diplomatas indígenas e quilombola que tomaram posse no Itamaraty esta semana: