A outra é investir diretamente em Bolsas do exterior , como a NYSE (New York Stock Exchange), por meio de uma conta global ou de uma corretora estrangeira.
Hoje, a B3 oferece diferentes alternativas para investir no exterior, como 821 BDRs (Brazilian Depositary Receipts) e 305 ETFs Globais —que dão acesso a fundos listados no exterior. Também há ETFs negociados na própria Bolsa brasileira que replicam índices internacionais.
A negociação desses ativos é semelhante à de ações. O investidor buscar o código no home broker da corretora ou na plataforma de investimentos, define a quantidade e envia a ordem.
Embora sejam negociados em reais, a B3 afirma que os produtos ligados a ativos estrangeiros também estão sujeitos à variação cambial, além das oscilações das ações ou cotas no mercado de origem.
Rafael Meyer, portfolio manager da SWM Multi Family Office, afirma que investir no exterior ajuda a reduzir a concentração de renda, patrimônio e aplicações no Brasil. A diversificação também permite acessar setores pouco representados na Bolsa brasileira, como tecnologia, saúde e semicondutores, além de incluir ativos em moeda forte na carteira. O câmbio, porém, pode favorecer ou prejudicar o retorno.
A parcela destinada ao exterior depende do perfil de risco e da tolerância às oscilações. Para investidores conservadores, com carteira concentrada em títulos de renda fixa, Meyer recomenda começar com uma exposição menor. "O ideal é começar com até 10% do patrimônio no exterior e ir aumentando aos poucos, conforme o investidor se acostuma com a oscilação", diz.
Os BDRs são recibos negociados no Brasil que representam ações de empresas emitidas no exterior, como Nvidia , Micron , Microsoft e SpaceX . Em 12 de junho, o BDR da SpaceX (SPCX34) estreou na B3 junto com o IPO da empresa nos EUA . Segundo Thalita Forne, superintendente de produtos e clientes da B3, o papel foi o quinto BDR mais negociado em agosto, com cerca de R$ 90 milhões por dia.
"É como se fosse uma mãozinha que pega o dinheiro que está no seu bolso e coloca na empresa que está lá fora. Permite você conseguir comprar essa empresa de uma forma muito simples", diz Forne. Segundo ela, a compra é parecida com a de uma ação, sem a necessidade de fazer uma remessa de dinheiro para o exterior e sem IOF .
A oferta inclui ainda empresas de outros setores, como a Eli Lilly , fabricante do Mounjaro, além de ETFs de energia nuclear, cibersegurança , lítio e minerais críticos .
O investidor que prefere se expor a um conjunto de empresas, em vez de selecionar uma companhia específica, pode procurar um ETF (fundo negociado em Bolsa), que reúne diferentes ativos em uma carteira que busca acompanhar um determinado índice.
Eles podem ter exposição a ativos brasileiros, mas alguns acompanham índices do exterior. O GENB11, por exemplo, segue o S&P/B3 Ingenius, composto por empresas americanas de inovação. Antes de comprar, o investidor pode consultar quais empresas fazem parte da carteira, o peso de cada uma e os critérios para a entrada e saída dos papéis.
O principal cuidado, diz Thalita, é verificar se o índice é de fato aquele ao qual o investidor quer se expor. Segundo ela, como a CVM atualmente só regulamenta ETFs passivos, "o gestor simplesmente vai seguir o que o índice faz", mesmo que uma empresa ganhe muito peso dentro dele e, consequentemente, o investidor passe a ter uma exposição maior a esse papel.
No ETF negociado na B3, o investidor compra uma cota de um fundo constituído no Brasil. Já no ETF Global, compra um BDR que representa cotas de um fundo criado e listado no exterior.
O ORBX39, por exemplo, representa o Global X Space Tech ETF e reúne, entre outras empresas, SpaceX, AST SpaceMobile e Rocket Lab.
Os dois produtos podem acompanhar o mesmo índice. Nesse caso, a exposição ao mercado é semelhante, mas a estrutura é diferente: em um caso, o fundo está no Brasil, enquanto no outro, o fundo está no exterior e é representado por um BDR negociado na B3.
Na compra de BDRs e ETFs, o investidor pode ter custos de negociação. Segundo Thalita, muitas corretoras já não cobram corretagem para esses produtos, mas é preciso verificar as condições oferecidas por cada instituição. No caso dos ETFs, também há a taxa de administração, que remunera a gestão do fundo.
Outro ponto é a tributação. Em caso de venda com lucro, o investidor precisa fazer o recolhimento do imposto por meio de DARF, de acordo com as regras aplicáveis a cada produto e operação.
Quem prefere investir diretamente no exterior pode comprar ações e ETFs nas Bolsas americanas por meio de uma conta global, oferecida por bancos e corretoras brasileiras, ou de uma conta em uma corretora estrangeira.
A conta global concentra câmbio e investimentos no mesmo aplicativo, costuma oferecer atendimento em português e, em alguns casos, informe para o Imposto de Renda . Já a corretora estrangeira dá acesso a mais Bolsas e ativos, mas exige que o investidor faça a remessa e organize a documentação por conta própria.
Segundo Rafael Meyer, é possível começar a investir com cerca de US$ 100 (R$ 522). O cuidado é com os custos das remessas. Ele diz que para valores pequenos, as tarifas podem consumir parte do retorno. Meyer sugere acumular recursos e enviar lotes de R$ 2.000 a R$ 5.000. "Em corretoras estrangeiras diretas, o ticket sensato é maior, alguns milhares de dólares, porque a remessa costuma passar por banco intermediário", diz o especialista.
A operação envolve custos de câmbio, como IOF, spread na conversão de reais para dólares e eventuais tarifas de remessa ou de bancos intermediários. Segundo Meyer, esses custos podem representar entre 2% e 3% do valor enviado, dependendo da operação. Em contrapartida, investir diretamente permite acessar uma quantidade maior de ativos e mercados.
Na tributação, desde 2024, os rendimentos de aplicações financeiras no exterior, como ganhos na venda, dividendos, juros e variação cambial, são tributados em 15% na declaração anual. Não há mais carnê-leão ou DARF a cada venda, nem a antiga isenção para vendas de até R$ 35 mil por mês. Nos EUA, não residentes não pagam imposto sobre ganho de capital, mas dividendos sofrem retenção de 30% na fonte, valor que pode ser compensado com o imposto devido no Brasil, dentro dos limites aplicáveis.
Negociar em reais não elimina o efeito do câmbio. O preço desses produtos reflete tanto o desempenho da empresa ou do fundo no exterior quanto a variação do dólar em relação ao real. Quem investe diretamente no exterior também está sujeito a esse efeito.
Exemplo: se uma ação sobe 10% em dólar, mas o dólar cai 5% ante o real, o ganho para o investidor brasileiro seria de cerca de 4,5%.