Entre aqueles tratados apenas com a imunoterapia, esse percentual foi de 70%. A diferença de 12,2 pontos percentuais representa um avanço no controle de um dos tipos mais agressivos de câncer de pele, embora ainda não seja possível afirmar que o tratamento oferece proteção definitiva.
Os resultados foram publicados pela Moderna e pela MSD , responsáveis pelo desenvolvimento da terapia. O estudo de fase 3 avaliou pacientes com melanoma de alto risco que haviam passado por cirurgia para retirada do tumor.
A análise também identificou uma redução relativa de 42% no risco de recorrência do câncer ou morte em comparação com o tratamento convencional. Esse percentual considera a evolução dos pacientes durante o acompanhamento e não significa que a vacina tenha reduzido isoladamente as mortes nessa proporção.
O estudo INTerpath-001 comparou o desempenho da vacina personalizada, chamada intismeran autogene, quando associada ao Keytruda, medicamento imunoterápico já utilizado no tratamento do melanoma.
A vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro para ensinar o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor de cada paciente. Diferentemente das vacinas preventivas tradicionais, ela é desenvolvida individualmente para pessoas que já receberam o diagnóstico de câncer.
Outro resultado positivo foi observado no controle da disseminação da doença. A combinação reduziu em 38% o risco de metástase distante ou morte , em comparação com a imunoterapia isolada.
Os dados correspondem a um acompanhamento mediano de 24,6 meses . A pesquisa continua, principalmente para determinar se os benefícios também resultarão em maior sobrevida dos pacientes ao longo do tempo.
A nova pesquisa dá continuidade a resultados obtidos em um estudo anterior, publicado na revista científica The Lancet em 2024. Na fase 2b, que envolveu 157 pacientes, a combinação também apresentou uma proporção maior de participantes sem recorrência ou morte em relação ao tratamento isolado.
A fase 3 reforça a evidência clínica em uma população maior. Entretanto, os resultados não significam que a vacina já esteja disponível em hospitais ou que possa ser utilizada por qualquer pessoa diagnosticada com melanoma.
Os pesquisadores também acompanham a segurança do tratamento. No novo ensaio, ocorreram efeitos adversos, como febre, dor no local da aplicação e cansaço, sem identificação de novos sinais de segurança em relação aos estudos anteriores.
As empresas estão em contato com autoridades regulatórias para discutir a aprovação da terapia . A expectativa mencionada pela Moderna é de um possível lançamento em 2027, mas essa previsão ainda depende de autorização.
Para pacientes com melanoma, o avanço representa uma alternativa experimental que demonstrou menor risco de retorno da doença após a cirurgia. Por enquanto, a vacina contra melanoma permanece restrita à pesquisa clínica, e sua eventual utilização dependerá das avaliações regulatórias.