O consumo de biodiesel vem crescendo há duas décadas e, inicialmente, um dos objetivos era a busca por uma energia mais limpa , algo ainda no foco de vários países, inclusive no do Brasil. O estrangulamento no fornecimento de petróleo após a guerra do Irã fez vários governos, no entanto, elevarem a mistura de biodiesel ao diesel como medida de segurança energética.
A Indonésia adota, desde julho, a mistura de 50% de óleo de palma ao diesel. No próximo ano, o país deverá consumir 17,4 milhões de toneladas desse óleo, um volume bem superior aos 7,2 milhões de 2020. A Malásia subiu a mistura para até 20%, e a Tailândia, para 20%, embora seja opcional. No Brasil, o consumo de óleo de soja sobe de 4,2 milhões de toneladas para 8,7 milhões no período, se for implantado o B16 (mistura de 16%) em março próximo. Nos Estados Unidos, com as mudanças recentes no sistema energético, o volume aumenta de 5 milhões para 8,1 milhões de toneladas.
O aumento da mistura de óleos vegetais ao diesel favorece os produtores, uma vez que há uma alta da demanda desses óleos. A elevação do uso dá suporte à produção de soja, que vem subindo constantemente, como ocorre no Brasil.
Ao longo dos últimos 15 anos, o consumo de óleo de soja para a produção de biodiesel aumentou 913% nos Estados Unidos. No Brasil, a alta foi de 383%. Para alguns países, como a Índia, esse novo cenário aumenta o gargalo no fornecimento interno de óleo vegetal. Os indianos importam algo próximo de 16 milhões de toneladas desses óleos por ano para alimentação.
A produção de soja sustenta parte dessa elevação mundial do volume de óleos vegetais. Na safra 2010/11, os países produtores colocaram 261 milhões de toneladas da oleaginosa no mercado, volume que poderá atingir 443 milhões em 2026/27, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O Brasil, que produziu 75 milhões em 2011, deverá atingir 182 milhões nesta safra 2026/27, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
A produção mundial de óleos vegetais já atinge 243 milhões de toneladas, e os óleos de palma e de soja se destacam, com volume de 79 milhões e 75 milhões, respectivamente. Canola e girassol vêm a seguir, com 38 milhões e 24 milhões.
A maior utilização dos óleos vegetais no uso de combustíveis não deixa de ser refletida nos preços dos consumidores. Desde 2020, para uma inflação média dos alimentos de 73%, o óleo de soja acumula alta de 145%, conforme dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Nesse período, no entanto, houve quebra de safra, redução dos estoques mundiais, maior demanda pela oleaginosa e aceleração dos preços internacionais.
Defesa agropecuária Vigilância, monitoramento e defesa sintetizam a essência desse mecanismo, que dá garantia ao produto brasileiro para chegar aos mercados internacionais livre de pragas, de doenças e com qualidade.
Defesa agropecuára 2 A manutenção e ampliação desse sistema, no entanto, exigem esforço contínuo, uma vez que o cenário atual impõe desafios crescentes, como aumento do fluxo de comércio internacional, mudanças climáticas e emergência de novas pragas e doenças.
Defesa agropeciuária 3 Mas esse sistema deve ser fortalecido cada vez mais com três pilares fundamentais: pessoal, treinamento e recursos. As avaliações são de Luciano Vacari, gestor de negócios e CEO da NeoAgro Consultoria.
Uso de óleos vegetais para biocombustível sobe 122% desde 2020
Conflitos geopolíticos e as incertezas com relação a preço e fornecimento de petróleo provocaram um aumento acentuado na demanda por óleos vegetais na mistura com diesel nos anos recentes. Considerando apenas Tailândia, Brasil e Estados Unidos, países entre os