União Europeia avalia seguir Trump e comprar participação em projetos de minerais críticos

Proposta prevê compra de participações em empresas para reduzir dependência de minerais chineses

Por Admin ·

União Europeia avalia seguir Trump e comprar participação em projetos de minerais críticos

Plano prevê agência com 2 bilhões de euros para garantir o fornecimento de matérias-primas estratégicas

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Bruxelas | Financial Times Parlamentares da União Europeia querem que Bruxelas siga a estratégia de Donald Trump e adquira participações em projetos de matérias-primas críticas, em uma iniciativa que acompanha os esforços dos Estados Unidos e do Japão para garantir o fornecimento de minerais essenciais à defesa e às tecnologias limpas.

Integrantes do Parlamento Europeu votaram na semana passada a favor da criação de uma agência com poderes para adquirir participações em empresas de matérias-primas quando necessário, a fim de "proteger a segurança do abastecimento da União", formar estoques estratégicos e monitorar o fornecimento em todo o bloco.

A medida ajudaria a Europa a reduzir sua dependência dos minerais chineses usados em tecnologias críticas, como baterias e tecnologias verdes, além de diminuir sua vulnerabilidade às quedas de preços de elementos essenciais, afirmou Mohammed Chahim, parlamentar social-democrata holandês que lidera a proposta.

"Os projetos europeus são muito sensíveis aos preços de mercado e aos preços globais, que podem ser manipulados por grandes agentes globais", disse. Os Estados Unidos e o Japão, países que investiram para garantir o fornecimento desses minerais, "são muito menos vulneráveis", observou.

O governo Trump investiu grandes quantias no desenvolvimento de sua cadeia de fornecimento, inclusive por meio da compra de participações em produtores de terras raras.

Em julho de 2025, o Pentágono fez um investimento de US$ 400 milhões (R$ 1,99 bilhão) para adquirir uma participação de 15% na produtora americana de terras raras MP Materials, além de conceder um empréstimo de US$ 150 milhões (R$ 747 milhões). Também assinou um acordo de dez anos para estabelecer um preço mínimo de US$ 110 (R$ 548) por quilo de neodímio-praseodímio —combinação de terras raras usada na fabricação de ímãs permanentes para tecnologias como veículos elétricos e robótica — armazenado ou vendido pela MP Materials.

A abordagem agressiva adotada pelos Estados Unidos para ampliar seus estoques de minerais críticos levou alguns a alertar que a Europa corre o risco de ficar para trás. Bernd Schäfer, diretor do grupo industrial EIT RawMaterials, afirmou que há o risco de os Estados Unidos "se tornarem uma segunda China para a Europa" em termos de dependência de metais de terras raras.

O chamado Centro de Matérias-Primas Críticas da UE receberia 2 bilhões de euros (R$ 11,15 bilhões) do próximo orçamento de longo prazo do bloco. A proposta se inspira na Organização para a Segurança de Metais e Energia do Japão, entidade governamental que busca manter o fornecimento de energia e minerais estável e a preços acessíveis no país.

"Fomos inspirados pelo Japão. Não é preciso reinventar a roda. É melhor simplesmente copiá-la", disse Chahim.

Os esforços da UE para garantir sua cadeia de fornecimento têm se concentrado na designação de projetos estratégicos de mineração, processamento e reciclagem, que recebem autorizações mais rápidas, embora não tenham garantia de financiamento público. No início deste mês, o bloco selecionou 46 novos projetos estratégicos, que se somam aos 60 já beneficiados por essas condições.

Chahim reconheceu que a proposta exigiria mais recursos de investidores privados, governos nacionais e do Banco Europeu de Investimento para competir com as iniciativas dos Estados Unidos e do Japão. "Se o orçamento continuar em 2 bilhões de euros (R$ 11,15 bilhões), não considero alta a probabilidade de o projeto ter sucesso."

A Comissão Europeia planejava apresentar uma proposta legislativa para criar o centro em setembro, mas abandonou a iniciativa.

Terras raras atraem ao menos 18 empresas estrangeiras e somam mais de R$ 17 bi em investimentos

Índia cruza o oceano atrás dos minerais críticos do Brasil

TSMC busca opções à China para obter terras raras, diz agência

Em vez disso, Chahim adotou uma estratégia incomum: trabalhar com autoridades e outros parlamentares para propor emendas abrangentes à revisão da atual Lei de Matérias-Primas Críticas, que estabelece metas mínimas para a mineração, extração e processamento de minerais na UE.

As medidas propostas para criar a agência e permitir a compra de participações acionárias em "circunstâncias excepcionais", porém, também precisarão da aprovação dos países-membros para entrar em vigor.

Chahim disse que havia algum ceticismo por parte da Alemanha, da Espanha e de outros países, mas afirmou que, agora, eles estão dispostos a dialogar.