Uma vitória construída a milhões de mãos

Eu não fiz campanha durante o primeiro turno. Não me mobilizei como poderia. Não que não estivesse falando sobre política. Acredito que a política atravessa tudo o que fazemos, o que somos, como existimos neste mundo. Mas não me esforcei al

Por Admin ·

Uma vitória construída a milhões de mãos

Eu nunca fui lulista. Há não muito tempo, me considerava inclusive uma pessoa mais à direita. Como muitos brasileiros, eu não era politizada. Minha conclusão sobre onde me localizava no espectro político era, portanto, fruto da opinião dos outros, de uma colcha de retalhos formada do berço em que nasci, da escola onde estudei, dos privilegiados círculos por onde circulei.

Mas eis que a maturidade veio e, com ela, o pensamento crítico e a consciência, turbinados posteriormente pela ascensão do bolsonarismo, um movimento que prega a ignorância, a intolerância e o individualismo.

Jair Bolsonaro (PL) subiu a rampa no ano em que me tornei mãe, e essa absoluta dicotomia entre o poder de criar vida e a política de morte do então presidente coroou meu processo de despertar, tornando-me um ser irremediavelmente político e irremediavelmente opositor ao bolsonarismo.

Ainda assim, nas semanas que precederam o primeiro turno, mesmo diante de uma campanha lulista parada no tempo, não fiz tudo o que poderia. Deixei na mão deles, dos políticos e marqueteiros e estrategistas, a incumbência de salvar o Brasil das mãos de um candidato que representa tudo o que mais desprezo.

E eis que chegamos ao resultado das urnas no dia 4 de outubro . Foi preciso chegar em segundo lugar no primeiro turno para que as crenças que já moravam em mim transbordassem para ação. Não de imediato, é verdade. Custaram 48 horas e uma virose para que minha desesperança pós-primeiro turno se transformasse em participação, em iniciativa.