A esses desafios somam-se córregos poluídos, enchentes, longos deslocamentos no transporte público, falta de áreas verdes e dificuldade de acesso a alimentos frescos em determinadas regiões, problemas que afetam a saúde e a qualidade de vida.
Sempre me incomodei com a desigualdade, com a pobreza em meio à riqueza. Foi a partir desse inconformismo que criei a ONG Banco de Alimentos , em 1998, com o objetivo de combater a fome e o desperdício de alimentos.
Um trabalho pioneiro que desbravou caminhos e despertou a sociedade para uma realidade que não podíamos mais aceitar: toneladas de alimentos sendo desperdiçadas enquanto milhões de pessoas passavam fome.
Mas meu inconformismo nunca se limitou à fome de comida. Ele também diz respeito às fomes de saúde, educação, moradia, justiça e oportunidades. Essa visão ganhou forma no livro "Inteligência Social: a Perspectiva de um Mundo sem Fomes" , publicado em 2018.
A obra nasceu, entre outras inquietações, da dor provocada pela notícia de que mais duas crianças haviam sido atingidas por balas perdidas no Rio de Janeiro. A violência e a desigualdade reforçavam uma convicção: não basta reconhecer os problemas; é preciso assumir a responsabilidade de agir para enfrentá-los.