O terceiro mandato de Lula foi, numa avaliação generosa, medíocre. Não trouxe nada que entusiasmasse, e os indicadores sociais passáveis que produziu foram obtidos de forma insustentável, com base num aumento de gastos públicos que não pode ser esticado por mais tempo. Para que a inflação não explodisse, os juros foram à ionosfera e nela permanecem, asfixiando a economia e aumentando o endividamento de empresas e famílias.
Para piorar, nas últimas semanas, diante da perspectiva de não ter seu mandato renovado, Lula entrou no modo populismo total. Acelerou gastos como se não houvesse amanhã e abandonou bandeiras históricas do partido, como a manutenção da maioridade penal aos 18 anos. Não tenho como condenar o eleitor que tenha perdido a fé numa ação política baseada em responsabilidade e princípios
Em condições normais, antecipar a aposentadoria de Lula não seria má ideia. O problema de fazê-lo agora é dar a vitória a Flávio Bolsonaro , passo que, no mínimo, deveria despertar algum medo no eleitor. O jovem Bolsonaro nunca passou de um senador sem destaques positivos e envolvido em histórias que deveriam deixar o cidadão que se preocupa com corrupção com um pé atrás, das rachadinhas ao "Dark Horse" . E isso nem é o mais grave. Ao longo da campanha, Flávio deu vários sinais de que caprichará no estelionato eleitoral e nenhum de que é um democrata convicto.
Repetiu vários dos piores motes antidemocráticos do pai, que ameaça tirar da cadeia para colocar na cerimônia de posse, caso eleito. Tampouco sabemos o grau de influência que o ex-capitão condenado por tentativa de golpe exerceria sobre seu governo . Talvez estejamos diante de um análogo daquilo que os civilistas chamam de erro essencial sobre a pessoa. Você vota em Flávio, mas contrai laços com Jair. Bom voto, se é que isso é possível.