Os fãs de Douglas Adams talvez se lembrem de Hotblack Desiato, o astro do rock que passava um ano morto por razões tributárias. Quando me mudei para Londres, nos anos 1990, fiquei encantado ao descobrir que Adams não havia inventado o nome: ele o havia copiado de uma imobiliária em Islington. Fiquei ainda mais entusiasmado ao encontrar um exemplo real ainda melhor: pessoas que encontram maneiras de adiar a própria morte — ou talvez de postergar a data oficial de sua morte — para reduzir a obrigação de pagar imposto sobre herança. Por essa descoberta, os economistas Wojciech Kopczuk e Joel Slemrod receberam, com razão, o Prêmio Ig Nobel de Economia em 2001.
Os impostos não se limitam a transferir dinheiro dos cidadãos para o governo; eles também moldam nosso comportamento. Um sistema tributário mal elaborado tende a provocar todo tipo de contorção, que encolhe a economia, reduz a base de arrecadação e faz a alegria de contadores e advogados tributaristas. Distorções provocadas por impostos são praticamente inevitáveis, mas alguns sistemas tributários fazem mais sentido do que outros.
Pensemos no imposto de renda. Sem entrar nos meandros do desenho tributário ideal, é fácil imaginar um imposto de renda simples: com uma faixa de isenção modesta e duas ou três faixas de tributação, cada uma com uma alíquota superior à anterior. Haveria, obviamente, um único sistema de imposto de renda — por que ter dois sistemas completamente separados? —, incidindo sobre todos os rendimentos, qualquer que fosse sua origem.
Imagine começar com um imposto assim e, em seguida, tentar justificar uma mudança para dois sistemas distintos: um incidente sobre a renda anual e outro sobre a renda semanal. O imposto anual teria faixas de 0%, 20%, 40%, 60% e 45%, enquanto o semanal teria faixas de 0%, 8% e 2% para algumas pessoas, 6% e 2% para outras, e nenhuma cobrança para outras ainda, dependendo exatamente de como essa renda fosse obtida. O imposto de renda adicional seria chamado de "seguro nacional", embora sua ligação com a seguridade social fosse tênue. Alguém aceitaria essa proposta? Seria difícil subir à tribuna do Parlamento, sem perder a compostura, para anunciar que o primeiro sistema seria abolido em favor do segundo.
O que nos leva a uma pergunta óbvia: se o Reino Unido já tem esse segundo sistema, intelectualmente rudimentar, por que é tão difícil defender a substituição dele pelo primeiro?