O texto diz que a "campanha coordenada de serviços especiais e autoridades do Estado" impossibilitou a continuidade das operações do jornal, criado em 1993 e símbolo da liberdade associada à primeira e turbulenta década da Rússia pós-soviética.
A causa mortis do pequeno editorial divulgado foi o golpe final do governo de Vladimir Putin contra os resquícios da Nova Gazeta: a declaração do veículo como agente estrangeiro em setembro.
Pela lei russa, qualquer ente ou pessoa que receba financiamento externo é assim classificado, e passa a sofrer uma série de restrições fiscais e de operação. Na semana passada, a Justiça informou que a Redação do jornal seria despejada do histórico prédio na alameda Potapovski, no centro de Moscou .
Os visitantes que lá entravam davam de cara com os primeiros computadores do jornal, doados pelo último presidente soviético, Mikhail Gorbatchov (1931-2022), uma espécie de patrono da publicação. As velhas máquinas eram o que mais se aproximava de um memorial ao líder, desprezado no país pelo caos econômico que o fim do império comunista trouxe.
Mais recentemente, o prédio também abrigava o Museu Anna Politkovskaia, em homenagem à jornalista investigativa homônima cujo assassinato em 2006 é creditado a aliados de Putin por sua cobertura crítica do Kremlin e de abusos na Tchetchênia. O presidente nega ligação com o crime.