Trupe de teatro que há três décadas trata a loucura como potência criativa ganha filme

"Acho que tem a ver um pouco com a minha vivência com a paranoia . Fui me acostumando com essa sensação de ter alguém me ouvindo, alguém me observando, alguma coisa estranha acontecendo", diz Leonardo Cavalcanti, um dos atores da companhia

Por Admin ·

Trupe de teatro que há três décadas trata a loucura como potência criativa ganha filme

Em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo , o longa será exibido neste sábado (24), no Instituto Moreira Salles , e na próxima quarta-feira (28), no Espaço Petrobras de Cinema . Lacerda afirma ter buscado um filme que não tomasse o grupo como objeto, mas nascesse de uma construção compartilhada com a trupe teatral.

O documentário mostra os ensaios e apresentações da peça "Telúrica", dirigida pela encenadora Elisa Band, há dois anos, na Casa do Povo , no centro de São Paulo, assim como o processo artístico incomum desse grupo, descrito por Luan Bittencourt, um dos atores, como "uma espécie de comunidade provisória para existências que aprenderam a sobreviver sem precisar fingir que estão inteiras".

Prestes a completar 30 anos, a companhia surgiu de uma sugestão de Alexandre Bernardes, que à época frequentava o hospital-dia A Casa , de criar um grupo teatral.

Ao contrário das iniciativas terapêuticas ou pedagógicas com pessoas que têm ou tiveram contato com a loucura, então mais comuns nesse campo, a proposta era fazer do teatro um espaço de experimentação estética. Não se tratava de eliminar a estranheza do desvario, mas de tomar isso como vetor poético e político.

Desde então, com a saída de alguns membros e a morte de outros, a composição original se alterou bastante. Atualmente dirigida por Band, a trupe ensaia sem rigidez, entre conversas, danças e propostas dos atores e da diretora. Segundo Lacerda, a filmagem veio potencializar esses encontros. Ensaios de duas horas passaram a ter oito horas.