Trump diz que não quer se 'envolver' após carta golpista de Flávio

O presidente dos EUA, Donald Trump , afirmou nesta quarta-feira (28) que não irá se envolver na turbulência política do Brasil após o candidato derrotado pelo PL , Flávio Bolsonaro , publicar carta em tom golpista.

Por Admin ·

Trump diz que não quer se 'envolver' após carta golpista de Flávio

Após fugir do Brasil e entrar nos EUA, Flávio divulgou pronunciamento em que se apresentava como "o verdadeiro presidente" do país , apesar da derrota para Lula ( PT ) por diferença de mais de 4 milhões de votos. Momentos depois, o senador recuou e se classificou como "líder do Brasil ".

Trump foi questionado sobre a declaração de Flávio , mas se esquivou.

"Eu não vou comentar sobre isso, mas eu sei que nós autorizamos a entrada dele no país. Então, veremos." O republicano, porém, voltou a criticar, pela quarta vez, o segundo turno das eleições no Brasil. "Não vou me envolver, mas isso foi uma eleição muito estranha. Isso é certeza."

O presidente americano tem criticado o segundo turno da eleição brasileira devido à ampliação do horário de votação, embora tenha afirmado, pela terceira vez, que não tomou partido na disputa.

"Eu conheço o Lula, eu conheço o Flávio um pouco, eu conheço o pai dele [ex-presidente Jair Bolsonaro] muito bem. O pai foi tratado muito mal. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, um outro país", disse Trump.

O presidente dos Estados Unidos disse na noite de terça que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas que não sabia onde o aliado estava. "Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", afirmou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."

Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederia vistos a Flávio e aos familiares, autorizando a entrada e a permanência no país.

Após a derrota para Lula no domingo, Flávio afirmou que pediria a anulação da eleição. Na segunda (26), gravou um vídeo indicando desistência do questionamento. Reclamou da ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a entrega dos passaportes, mas disse que ficaria no Brasil e lideraria a oposição.

Apenas 34 mil votos —0,03% do total— foram registrados após as 17h no domingo, e a própria campanha do PL também havia pedido a prorrogação de votação em alguns lugares. Ainda assim, Flávio concentra sua carta nesse argumento, insistindo que a prorrogação representa uma "nulidade".

O senador entrou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) com um registro humanitário que autoriza a permanência do parlamentar e de sua família no país durante um ano.

A informação consta em documento da agência alfandegária e de proteção dos EUA. No documento, aparece o nome de Flávio, com chegada em outubro de 2026 e permanência autorizada até outubro de 2027.

O registro de entrada do senador é classificado como "DT", o que significa que ele recebeu uma autorização humanitária para entrar no país.