Em entrevista ao programa " Fox & Friends", da emissora Fox News, Trump disse que Tel Aviv já não precisa do financiamento e que o Partido Democrata e políticos de esquerda usavam o apoio financeiro da Casa Branca ao país como argumento para criticar o Partido Republicano .
"Agora, quanto aos pagamentos a Israel, Bibi e eu fizemos um acordo. Damos a Israel US$ 4 bilhões por ano e, meses atrás, acertamos que vamos interromper isso", disse o presidente no programa de televisão. "Já concordamos que, até o fim deste ano, deixaremos de pagar Israel. Agora, ajudaremos Israel se precisar."
O gabinete do premiê israelense não havia comentado as declarações do republicano até a tarde desta terça.
Não ficou claro de imediato a qual financiamento específico Trump se referia. Um memorando de entendimento que prevê US$ 3,8 bilhões (R$ 20,44 bilhões) anuais em ajuda militar dos EUA a Israel vai expirar em 2028, e já há conversas em andamento sobre como a assistência de Washington ao país evoluirá após essa data.
"Eles podem comprar o que quiserem. Podem comprar o que quiserem. A Europa também. Fabricamos as melhores armas do mundo", acrescentou Trump.
Israel foi a nação que mais recebeu assistência externa americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial , sendo contemplada com aproximadamente U$ 308 bilhões (R$ 1,6 trilhão). O país também é um dos maiores compradores de armamentos dos EUA, importando cerca de 69% de todo o equipamento bélico que procuram.
Netanyahu disse, em entrevista à CBS em maio, que esperava tornar Tel Aviv independente do apoio militar da Casa Branca no prazo de uma década. Em uma carta enviada em junho a um congressista americano, escreveu que havia chegado a hora de "deixar de ser beneficiário de ajuda e passar a ser parceiro".
O apoio da opinião pública americana a Israel caiu desde o início da guerra no Oriente Médio , com ataques incessantes na Faixa de Gaza desde 2023, sobretudo entre os democratas.
Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac feita em junho constatou que 48% dos eleitores e 66% dos democratas acreditam que os EUA apoiam Israel em excesso, ante 16% e 20%, respectivamente, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017.
O apoio a Tel Aviv entre os eleitores democratas despencou, e candidatos críticos ao país vêm vencendo as primárias do partido. Até parlamentares moderados estão cada vez mais dispostos a contestar décadas de assistência de Washington.
"A esquerda usa o pagamento de US$ 4 bilhões, do qual todos sabem —bem, não é segredo—, como um sinal de injustiça, e não podemos permitir que isso aconteça", disse Trump. "Estávamos dando a eles US$ 4 bilhões —ainda estamos—, mas isso será encerrado no fim do ano. Por quê? Porque eles não precisam."