"Acho que são pessoas decentes. As eleições foram realmente estranhas. Por mim, tudo bem", disse o republicano, ao ser questionado sobre a possibilidade de permitir a entrada do senador nos Estados Unidos.
Perguntado sobre o paradeiro de Flávio, Trump afirmou ter recebido informações de que o brasileiro estaria na Argentina. "Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", declarou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."
O presidente americano tem criticado o segundo turno da eleição brasileira devido à ampliação do horário de votação, embora tenha afirmado, pela terceira vez, que não tomou partido na disputa. "Eu conheço o Lula, eu conheço o Flávio um pouco, eu conheço o pai dele [ex-presidente Jair Bolsonaro] muito bem. O pai foi tratado muito mal. Mas, eu não me envolvi. É o Brasil, um outro país", disse.
"Eu preferi ficar fora dessa. O resultado final foi ok [vitória de Lula], mas a maneira como chegaram a ele foi terrível."
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederá vistos a Flávio e a seus familiares, autorizando sua entrada e permanência nos Estados Unidos.
O paradeiro do senador, porém, permanece incerto. Ao longo desta terça-feira, aliados afirmaram à imprensa brasileira que Flávio já teria chegado aos Estados Unidos por Miami, na Flórida. O coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho ( PL -RN) afirmou desconhecer o paradeiro do candidato derrotado à Presidência da República.
Na madrugada desta quarta-feira (28), no entanto, o canal de televisão argentino C5N informou que o senador ainda estava em Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, até o início da madrugada e que teria decolado pouco depois da meia-noite a bordo de um avião Gulfstream, de matrícula LV-JQW, com destino aos Estados Unidos.
Na segunda-feira (26), um dia depois da derrota de Flávio para Lula, veio à tona uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou o cancelamento de todos os passaportes emitidos em nome do senador e o proibiu de deixar o Brasil.
Alvo de investigação no Supremo, Flávio foi intimado pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira a entregar, em até 24 horas, seus passaportes comum e diplomático, além de eventuais documentos de viagem emitidos por outros países.