Parte da produção hoje feita na Europa segue destinada à exportação
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Reuters O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , afirmou neste sábado (24) que a Audi , subsidiária de veículos premium da Volkswagen , planeja construir uma fábrica de montagem de US$ 4 bilhões (US$ 20,1 bilhões) na Geórgia , com capacidade para produzir 200 mil SUVs por ano. O republicano fez o anúncio enquanto busca convencer os norte-americanos a apoiar seu partido nas eleições legislativas de novembro.
Trump, que tem pressionado as montadoras a transferir a produção para os Estados Unidos e elevado as tarifas sobre automóveis, aço, alumínio e peças, fez o anúncio em um comício em Perry, perto de Macon, na região central da Geórgia, onde a Audi pretende construir sua primeira fábrica nos EUA.
No ano passado, as tarifas de Trump causaram à Audi um prejuízo de 1,2 bilhão de euros (R$ 6,7 bilhões), já que a empresa importa da Europa ou do México todos os veículos destinados ao mercado norte-americano.
A Geórgia tem disputas eleitorais acirradas para o Senado dos EUA e para o governo estadual, e Trump está empenhado em defender que suas tarifas sobre automóveis estão ajudando a economia do país. Críticos afirmam que elas elevaram os preços dos veículos e que a incerteza comercial adiou alguns investimentos das montadoras.
"Planejamos trazer nossos SUVs maiores e mais sofisticados e produzi-los aqui em Macon, na Geórgia", disse o CEO da Audi, Gernot Doellner, durante o evento. "Este é um investimento de longo prazo porque acreditamos no mercado norte-americano."
Na Alemanha, enquanto isso, cresce a tensão entre a direção da Volkswagen e os trabalhadores por causa dos cortes em massa de empregos no mercado doméstico da montadora , incluindo possíveis fechamentos de fábricas diante do aumento dos custos e da forte concorrência asiática.
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"É correto e necessário aproveitar melhor o mercado dos EUA por meio de uma nova fábrica", disse Christiane Benner, presidente do sindicato IG Metall e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen. "No entanto, é preciso definir e apresentar claramente perspectivas sólidas para os trabalhadores de todas as unidades, sobretudo os que estão aqui na Alemanha."
Ela afirmou que a decisão final sobre o investimento terá de ser tomada pelo conselho de supervisão da Volkswagen.
Olaf Lies, primeiro-ministro do Estado alemão da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen, disse que a ampliação da produção nos EUA representava uma oportunidade, desde que os trabalhadores alemães também fossem beneficiados.
"O crescimento nos Estados Unidos deve assegurar empregos e geração de valor aqui, e não deslocá-los", afirmou.
A Audi afirmou que o investimento criará cerca de 4.500 empregos. A construção está prevista para começar no próximo ano, e a produção, no início da década de 2030, informou a empresa.
A expectativa é que a fábrica monte os SUVs Audi Q7, Q8 e Q9, disse uma autoridade norte-americana à Reuters.
A Audi também planeja produzir 25 mil veículos por ano na vizinha Carolina do Sul, segundo a autoridade. Alguns dos veículos, atualmente fabricados na Europa, seriam exportados, acrescentou. Esses veículos serão montados em uma fábrica de US$ 2 bilhões da Scout Motors, marca de veículos fora de estrada da VW, que está em construção em Blythewood, perto de Columbia, capital do Estado, disse a autoridade.
"Consideramos a região um mercado fundamental para um crescimento rentável", afirmou o CEO da Volkswagen, Oliver Blume. "Uma possível fábrica da Audi nos EUA criaria condições adicionais para isso."
Trump reduziu os incentivos governamentais para veículos elétricos, provocando uma queda significativa na produção de veículos elétricos e baterias no país. O número de empregos no setor de veículos e autopeças nos EUA diminuiu desde que Trump assumiu o cargo no ano passado.
Um Audi dourado, com placas de fabricante, estava estacionado do lado de fora do comício de Trump.
O senador norte-americano Bernie Moreno, republicano de Ohio, disse no fim deste sábado que, "com este investimento, a Audi fabricará todos os seus SUVs exclusivamente nos EUA". Segundo ele, a fábrica da Audi "jamais teria saído do papel sem as tarifas, sem regulamentações baseadas no bom senso e sem a eliminação da autonomia da Califórnia para estabelecer normas de eficiência de combustível".
As vendas da Audi caíram por dois anos consecutivos e recuaram 7% no primeiro semestre de 2026, à medida que a forte concorrência na China e as tarifas dos EUA afetaram a demanda. As vendas da Audi nos Estados Unidos acumulam queda de 16% neste ano.
A fábrica da Audi em Neckarsulm, no sudoeste da Alemanha, é uma das quatro unidades alemãs da Volkswagen que podem ser fechadas após 2030.
Em julho, a japonesa Toyota disse que investiria US$ 3,6 bilhões para construir uma linha de montagem de picapes de 232 mil metros quadrados em seu complexo industrial em San Antonio, no Texas, e transferir parte da produção de picapes do México para os EUA. A montadora japonesa afirmou que a expansão seria concluída até 2030, criando 2.000 empregos.
A Honda Motor estuda construir uma fábrica de montagem nos EUA, mas alertou que poderá desistir do projeto se o acordo entre Estados Unidos, México e Canadá não for prorrogado. A sul-coreana Hyundai afirmou no ano passado que, se tivesse segurança quanto ao USMCA, "destravaria imediatamente mais de US$ 20 bilhões em novos investimentos nos Estados Unidos".