Trump agrava custo de vida nos EUA e impulsiona vitória democrata

"Instruirei todos os membros do meu gabinete a mobilizar os vastos poderes à sua disposição para combater a inflação recorde e reduzir rapidamente os custos e os preços", discursou o presidente americano, Donald Trump , em sua posse em janeiro de 2025.

Por Admin ·

Trump agrava custo de vida nos EUA e impulsiona vitória democrata

Quase dois anos depois, marcados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao mundo e pela guerra no Irã , ambos inflacionários, a quebra dessa promessa foi um dos principais motivos para a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato, com domínio dos democratas na Câmara e no Senado .

A alta de preços, que incomoda desde o governo anterior, de Joe Biden, voltou a acelerar como consequência da política externa de Trump e do boom da inteligência artificial , que estimulou a construção de data centers e elevou os custos da energia. Nesse ambiente, os juros seguiram elevados, dificultando o financiamento imobiliário e o consumo dos americanos.

A percepção de perda de poder de compra se espalhou entre os eleitores, como mostra pesquisa da Associated Press citada pelo jornal The Washington Post: 39% dos americanos afirmam que a economia é a questão mais importante enfrentada pelo país, e quase 90% apontam o custo de vida como fator importante em seu voto.

O levantamento mostra ainda que três quartos dos entrevistados descrevem a economia como ruim ou muito ruim, e quase 80% dizem que a inflação causou dificuldades financeiras para suas famílias no último ano.

"A inflação em si incomoda , mas a alta do custo de vida, que é a consequência da alta de preços ao longo de vários anos, incomoda ainda mais", aponta Tomás Urani, estrategista-chefe de mercados do departamento econômico do Santander. "Isso acontece nos EUA e também em outros países."

O pessimismo também aparece nas pesquisas de confiança. Levantamento da Universidade de Michigan indica que os americanos estão hoje menos confiantes na economia do que durante a pandemia de covid-19, em 2020, ou a crise financeira de 2008.