Governo dos EUA também deve encerrar programa que visava monitorar por satélite emissores de gás
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The New York Times O governo Donald Trump está avançando para enfraquecer regras federais destinadas a obrigar empresas de petróleo e gás a reduzir suas emissões de metano , gás considerado "superpoluente" por reter tanto calor na atmosfera.
O presidente dos EUA anunciou o plano na noite de terça-feira (27), durante um comício de campanha em Lubbock, no Texas, em apoio ao candidato republicano ao Senado, Ken Paxton. Trump afirmou que as regras da gestão Joe Biden eram "caras e desnecessárias".
A medida representa uma das iniciativas mais significativas do governo Trump para reduzir o alcance das políticas federais destinadas a combater as mudanças climáticas .
O metano, principal componente do gás natural, retém, no curto prazo, cerca de 80 vezes mais calor na atmosfera do que o dióxido de carbono . Ele é responsável por quase um terço do aumento das temperaturas globais desde o início da Revolução Industrial, e especialistas afirmam que reduzir os vazamentos de metano é uma das maneiras mais rápidas de desacelerar o aquecimento global.
O governo Biden publicou, em 2023, regras que exigiriam que instalações de petróleo e gás monitorassem suas operações e impedissem o vazamento de metano para a atmosfera. O governo Trump já havia adiado a entrada em vigor dessas regras.
Agora, a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) propõe flexibilizar as exigências para conter as emissões de metano de centenas de milhares de poços "marginais" de petróleo e gás que estão próximos do fim de sua vida útil e têm produção relativamente baixa. Esses poços respondem por cerca de 7% da produção de petróleo e gás dos EUA, mas geram aproximadamente metade das emissões de metano do setor, segundo declarações anteriores da agência.
Autoridades do governo Trump apresentam a medida como uma iniciativa para impulsionar a produção de petróleo e gás dos Estados Unidos e reduzir os preços para os consumidores. Os altos preços dos combustíveis, elevados pela guerra contra o Irã liderada pelos norte-americanos, pressionam os candidatos republicanos antes das eleições de meio de mandato da próxima semana. No Texas, o maior estado produtor de petróleo do país, pesquisas mostram Paxton atrás do democrata James Talarico, e Trump tenta dar impulso à campanha do republicano.
O administrador da EPA, Lee Zeldin, afirmou que as regras da era Biden teriam provocado o fechamento de vários poços menores e estimou que a flexibilização das exigências permitiria ao setor economizar US$ 45 bilhões (R$ 240,69 bilhões) até 2050.
"Por trás de cada barril de petróleo e de cada metro cúbico de gás natural produzido nos Estados Unidos estão milhões de trabalhadores, empresas e o coração pulsante da economia deste país", afirmou Zeldin. "A EPA de Biden atacou tudo isso de forma destrutiva. O presidente Trump prometeu pôr fim à guerra contra o petróleo e o gás natural", declarou.
A produção de petróleo e gás é a maior fonte industrial de emissões de metano nos Estados Unidos. O metano pode vazar de poços, oleodutos e gasodutos, tanques de armazenamento e outras infraestruturas de combustíveis fósseis. O gás também pode ter origem em fontes naturais, como vacas, arrozais e áreas úmidas.
Grupos ambientalistas criticaram os retrocessos, afirmando que os vazamentos de metano das operações de petróleo e gás constituem uma forma de desperdício que faz sentido combater. Eles também ressaltaram que as regras da era Biden para o metano deveriam reduzir outros poluentes nocivos, como compostos orgânicos voláteis, que podem formar smog, e o benzeno, associado ao câncer.
"Os vazamentos de metano são o tipo mais absurdo de poluição, porque o setor está perdendo justamente o produto que vende", declarou David Doniger, estrategista sênior do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.
Muitas grandes empresas de petróleo e gás afirmam apoiar ao menos alguns limites às emissões de metano, observando que já investiram em tecnologias caras para monitorar e capturar o gás.
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No entanto, várias operadoras pequenas e independentes se opõem a muitas das regulamentações, por considerá-las caras e excessivamente restritivas. Elas afirmam que exigir a redução de emissões de poços marginais, que produzem pouco petróleo, obrigaria os produtores simplesmente a fechar muitos deles.
Zeldin indicou que a agência reformulará as normas para poços marginais, normalmente classificados como aqueles que produzem 15 barris de óleo equivalente por dia ou menos. Em 2024, esses poços representavam cerca de três quartos dos mais de 900 mil poços de petróleo e gás existentes nos EUA. Embora respondam por uma pequena parcela da produção total, vários estudos constataram que esses poços geram uma proporção desmedida das emissões de metano.
A EPA também planeja encerrar seu Programa de Superemissores de Metano, que daria a entidades terceirizadas de monitoramento o poder de usar satélites e outros sensores para identificar e comunicar rapidamente vazamentos significativos de metano. Alguns produtores de gás reclamaram que o programa daria poder regulatório excessivo a grupos ambientalistas.
A agência também propõe revogar uma regra da era Biden que exigiria que as operadoras capturassem o gás associado extraído dos poços de petróleo e o vendessem. A agência afirmou que isso nem sempre era viável e que as empresas teriam permissão para queimar o gás, prática conhecida como queima em flare, que produz emissões de dióxido de carbono.
A EPA receberá comentários públicos sobre as mudanças propostas durante 45 dias antes de finalizar a regra.