A colisão ocorreu nos arredores do vilarejo de Urda, no centro do país, cerca de 130 km de Madri, quando um trem da operadora estatal Renfe atingiu violentamente a traseira de uma composição parada da empresa privada Iryo. O episódio ocorreu oito meses outro acidente fatal envolvendo as mesmas empresas ferroviárias e a mesma linha, e reacendeu o debate sobre a segurança e a manutenção da rede de alta velocidade da Espanha, a mais extensa da Europa .
A velocidade máxima para a qual esses trens foram construídos é de 350 km/h, embora em serviço comercial o limite seja de 300 km/h. Em visita a Toledo, região do acidente, o premiê Pedro Sánchez afirmou que a confiança da população na ferrovia de alta velocidade foi abalada.
O premiê disse ainda que o governo trabalha "incansavelmente" para identificar todas as vítimas.
Segundo o ministro dos Transportes, Oscar Puente, a colisão ocorreu depois que vários trens foram parados automaticamente devido a uma falha no sistema de sinalização automática, e o centro de controle em Madri assumiu a operação. O trem da Renfe recebeu autorização para prosseguir, embora houvesse à frente um da Iryo parado.
Áudios das comunicações entre o centro de controle e os maquinistas, obtidos pelo El País, mostraram que um controlador autorizou o trem da Renfe, que transportava 379 passageiros e sete tripulantes, a seguir viagem em velocidade normal. Segundo Puente, o contro de comando desrespeitou o protocolo que determina velocidade máxima de 40 km/h nessas circunstâncias.
Os áudios também mostraram que, de acordo com o protocolo, o trem da Iryo à frente, com 147 passageiros e cinco tripulantes, deveria ter partido primeiro.
"A sequência de falhas, instruções e ações acabou levando à colisão, diante da ausência das barreiras de mitigação necessárias", afirma o relatório preliminar da Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes (AITAT).