O estudo faz parte de um projeto de pesquisa em andamento que investiga como uma modalidade breve de psicoterapia interpessoal chamada MOMCare, desenvolvida especialmente para tratar a depressão pré-natal , afeta gestantes com depressão e seus bebês. O MOMCare consiste em oito sessões de 50 minutos voltadas ao desenvolvimento de habilidades interpessoais, à redução de conflitos e ao fortalecimento do apoio social.
Recrutamos 234 gestantes que relataram sintomas de depressão durante consultas de rotina do pré-natal. As mães ingressaram no projeto de pesquisa no primeiro ou no segundo trimestre e foram distribuídas aleatoriamente em um de dois grupos.
As mulheres de um grupo receberam o MOMCare. As do outro receberam orientações sobre saúde mental , estratégias para lidar com os sintomas da depressão e encaminhamentos a serviços comunitários de apoio à saúde mental, como psicoterapia. Ambos os grupos continuaram recebendo os cuidados médicos habituais, que também podiam incluir encaminhamentos para psicoterapia ou tratamento medicamentoso.
Em uma publicação anterior, constatamos que 36% das mães participantes do estudo haviam sido diagnosticadas com depressão durante a gravidez antes de receberem o MOMCare, ante apenas 6% depois, o que demonstrou a eficácia da intervenção. As mulheres que receberam o MOMCare também apresentaram maior probabilidade de levar a gestação a termo, algo associado a internações mais curtas após o nascimento e a melhorias em diversos aspectos da saúde e do desenvolvimento infantil, incluindo melhor desempenho escolar.
No estudo atual, para investigar como essa modalidade de psicoterapia afeta o cérebro do bebê em desenvolvimento, medimos o volume de diferentes regiões cerebrais por meio de uma técnica de imagem chamada ressonância magnética, poucas semanas após o nascimento. Constatamos que uma região cerebral chamada hipocampo, que desempenha um papel na aprendizagem, na memória e na regulação emocional, apresentava volume 5% menor nos bebês cujas mães receberam o MOMCare, em comparação com os bebês das mães do outro grupo.
Seis meses depois, levamos os bebês novamente ao laboratório para examinar suas reações emocionais a experiências desconhecidas, como o contato com um robô de brinquedo barulhento, que dançava e se movimentava de maneira imprevisível. Segundo estudos anteriores, bebês que reagem de forma mais negativa a essas tarefas apresentam níveis mais elevados de depressão e ansiedade na adolescência.
Em nosso estudo, constatamos que os bebês com menor volume do hipocampo ao nascer tendiam a reagir de maneira menos negativa do que aqueles com maior volume.
Pode parecer contraintuitivo que um volume cerebral menor esteja associado a uma regulação emocional mais forte, sobretudo porque, em adultos, um menor volume cerebral costuma estar relacionado a efeitos negativos. No entanto, durante a primeira infância, o cérebro está em crescimento, e um crescimento mais rápido nem sempre é vantajoso. Uma hipótese, por exemplo, propõe que o estresse possa acelerar o desenvolvimento cerebral inicial.
A depressão afeta até 1 em cada 5 mulheres durante a gravidez. Ela também aumenta o risco de complicações gestacionais, como hipertensão e parto prematuro . Além disso, ter depressão durante a gravidez eleva o risco de transtornos mentais na criança.
A gravidez oferece uma oportunidade única de melhorar simultaneamente a saúde da mãe e do bebê. Isso ocorre porque, durante a gestação, as mulheres costumam ter mais contato com o sistema de saúde do que em outros períodos da vida. Tratar a depressão de uma mulher durante a gravidez beneficia duas gerações, melhorando a saúde tanto da mãe quanto do bebê em desenvolvimento.
Embora tanto o MOMCare quanto a condição de controle de nosso estudo tenham oferecido mais apoio do que gestantes com sintomas de depressão costumam receber, ainda assim observamos uma grande diferença entre os grupos. Isso sugere que uma intervenção direcionada, mesmo que não invasiva e de custo relativamente baixo, como o MOMCare, pode fazer uma grande diferença.