A Procuradoria Nacional Antiterrorismo anunciou que Kévin T., 39, foi transferido para uma unidade psiquiátrica da polícia para um período de observação de até 48 horas, a fim de determinar se possui condições de saúde mental compatíveis com a continuidade dos interrogatórios.
Segundo fontes próximas à investigação, o suspeito, que matou uma pessoa e feriu outras cinco, tinha diagnóstico prévio de esquizofrenia e fazia tratamento médico. Exames toxicológicos revelaram a presença de maconha e cocaína em seu sangue.
A decisão de remover o acusado da prisão provocou reação de Yassine Bouzrou, advogado da família de Pengo Bossio Wangi, um jovem francês de origem congolesa de 26 anos morto por Kévin.
"Chama a atenção uma recorrência preocupante: quando o atentado procede da extrema direita, a questão psiquiátrica se impõe muito rapidamente", disse o criminalista francês de ascendência marroquina, famoso por atuar em casos de grande repercussão midiática. "Embora a perícia e a irresponsabilidade penal sejam princípios fundamentais, a simetria deve ser a regra: mesmas perícias, mesmos prazos de avaliação, seja qual for o perfil ideológico do acusado."
Na manhã de sexta-feira (23), o agressor abriu fogo a partir de seu carro com uma pistola-metralhadora contra transeuntes em um posto de gasolina, um centro médico e um parque infantil nas localidades de Trappes e La Verrière, ao sudoeste da capital.
O presidente Emmanuel Macron classificou a ação como um "atentado terrorista racista", ressaltando que o atirador escolheu deliberadamente poupar determinadas pessoas com base na cor da pele e na aparência. Entre os cinco feridos, uma menina de 12 anos segue em estado crítico após ser atingida por oito disparos.