Batizado de Soberano , o equipamento foi instalado no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) . Sua função é processar grandes volumes de informações sobre o território brasileiro, reunindo dados que podem orientar decisões de órgãos públicos.
A novidade chega diante de uma dificuldade importante: apenas 8% do território nacional possui mapeamento na escala 1:25.000, segundo a universidade. Esse nível de detalhamento é utilizado no planejamento das cidades e na gestão de áreas sujeitas a riscos ambientais.
Com o novo sistema, os pesquisadores pretendem tornar a elaboração desses mapas mais rápida. A expectativa é facilitar o trabalho de instituições que precisam conhecer melhor as características do solo, do relevo e da ocupação territorial para planejar suas ações.
Para planejar ações diante de enchentes e deslizamentos, os municípios precisam de informações sobre o território. Mapas detalhados ajudam a compreender características geográficas relevantes para a gestão de áreas vulneráveis e para o planejamento de respostas a emergências.
O Soberano faz parte do projeto GeoIDE, que pretende automatizar a extração de informações geográficas utilizando imagens de satélites, radares, drones e sensores especializados . A inteligência artificial será empregada para reconhecer e organizar características presentes nesses registros.
A professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia da UFMG e coordenadora do projeto, explicou que produzir mapas detalhados de todo o Brasil pelos métodos tradicionais exigiria décadas. A automação é uma alternativa para acelerar esse trabalho.
Isso não significa que a máquina já consiga prever quando ocorrerá uma enchente ou um deslizamento. Sua contribuição prevista está na produção de informações que poderão ser utilizadas por pesquisadores e órgãos públicos na avaliação do território.
O supercomputador reúne oito aceleradores de inteligência artificial e dez unidades de processamento, com capacidade de armazenamento de aproximadamente 400 terabytes. A infraestrutura foi projetada, instalada e configurada por equipes brasileiras.
Na mesma inauguração, a universidade apresentou uma câmera hiperespectral instalada na Escola de Engenharia. O equipamento permite analisar características de materiais a partir de diferentes faixas de luz, oferecendo informações que não são percebidas em fotografias convencionais.
Os equipamentos foram adquiridos no âmbito de uma chamada da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de 2023. O GeoIDE é executado pela UFMG em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria do Serviço Geográfico do Exército Brasileiro.
Além das aplicações relacionadas a desastres naturais, a infraestrutura poderá apoiar pesquisas sobre desmatamento , mineração ilegal e gestão ambiental. Os equipamentos terão uso compartilhado por pesquisadores e instituições parceiras.
Para que o supercomputador da UFMG contribua efetivamente com a prevenção de desastres, os mapas produzidos precisarão ser incorporados ao planejamento e às ações dos órgãos responsáveis. A universidade ainda não apresentou um cronograma de cobertura nacional nem resultados comprovados de redução de riscos com o novo equipamento.