A cena acontece numa aula de luta livre, que combina combate e encenação. Sucesso na TV brasileira nas décadas de 1970 a 1990, e hoje conhecida pelos espetáculos da WWE (World Wrestling Entertainment), a modalidade também atrai quem busca atividade física e lazer.
O estudante Breno Aravechia Gomes Oliveira, 22, descobriu por volta dos 13 anos que poderia aprender golpes e quedas que via na televisão com o irmão desde criança. Logo se inscreveu. A possibilidade de criar o próprio personagem também o atraía.
Embora jogasse futebol e fizesse musculação, Breno procurava uma atividade para ocupar os fins de semana longe dos videogames. "Preferi ir para o treino da BWF [Brazilian Wrestling Federation] para me exercitar, fazer alguma coisa útil com meu tempo."
A BWF levou a luta livre nacional de volta à TV aberta , com transmissões semanais na Band. A organização também mantém uma academia na Vila Ema, zona leste da capital paulista, comandada pelo dono e treinador Bob Junior, com 42 alunos. Segundo ele, a maioria chega sem o hábito de praticar atividade física.
A intensidade das aulas varia conforme o condicionamento de cada pessoa. Os alunos começam com aquecimento e exercícios de força e resistência antes de passar aos movimentos no ringue. Iniciantes aprendem primeiro técnicas básicas e quedas.
O médico do esporte Bernardino Santi afirma que a luta livre pode melhorar o condicionamento cardiorrespiratório e a coordenação, além de fortalecer os músculos. Isso ocorre porque diferentes partes do corpo precisam trabalhar ao mesmo tempo.