O julgamento ocorreu em ação penal derivada da Operação Faroeste , da Polícia Federal . A operação investigou um esquema de venda de decisões judiciais para viabilizar a grilagem de terras no oeste da Bahia.
Segundo as investigações, empresários pagavam propina a magistrados, com a intermediação de advogados, em troca de decisões que favoreciam a apropriação irregular de terras.
Até fevereiro de 2021, depois que a primeira fase da operação já havia sido deflagrada, decisão do STJ afastou oito desembargadores do TJ-BA. Além disso, três desembargadoras foram presas preventivamente, e uma quarta, Sandra, estava em prisão domiciliar.
À época, ela sinalizou que estaria disposta a fechar um acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal), aceitando colaborar com a Justiça em troca de benefícios pela sua pena.
O acordo de delação de Sandra foi validado em junho de 2021, pelo ministro Og Fernandes, do STJ. Foi a primeira delação premiada de uma desembargadora do país, com menções a 68 pessoas —entre elas, 12 desembargadores do TJ-BA, 12 juízes e 15 advogados.
Também assinou acordo de colaboração o filho de Sandra, Vasco Rusciolelli, que também atuava como advogado da desembargadora e admitiu ter participado da negociação de venda de decisões. Assim como ela, ele também estava em prisão domiciliar.
Relatório da PF apontava que Vasco havia recebido ao menos R$ 250 mil para Sandra dar decisão favorável a uma empresa. Segundo o MPF, mãe e filho negociaram propinas de R$ 4 milhões e receberam, efetivamente, R$ 2,4 milhões.
Em outubro de 2021, depois de firmarem a colaboração, o ministro Og Fernandes revogou a prisão dos dois . Porém, o magistrado determinou que ambos continuassem com tornozeleira eletrônica e que se mantivessem afastados das dependências do TJ-BA e dos outros investigados da Operação Faroeste.
Contudo, a situação de Sandra mudou em novembro de 2024, quando o mesmo ministro, Og Fernandes, cancelou o acordo de delação premiada fechado por ela e por seu filho . A decisão aceitou pedido feito pelo MPF, que argumentou que os dois pararam de cooperar com as investigações, não comparecendo às audiências e deixando de pagar as multas previstas no acordo.
As provas do acordo, no entanto, continuaram válidas e poderiam ser usadas contra os dois, que perderam os benefícios negociados.
Além da condenação, o STJ também decretou a perda do cargo público de Sandra. Ela ainda perdeu o direito de receber a aposentadoria compulsória.
Em 2024, a defesa de Sandra dizia que ela tinha pedido a rescisão do acordo de delação "devido à quebra de confidencialidade" por parte das autoridades.
Já Vasco Rusciolelli, filho da desembargadora, foi condenado a 13 anos e 11 meses de prisão, também em regime inicial fechado, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.