Sob forte esquema de segurança, protestos na França reúnem 320 mil pessoas, diz governo

31/10/2026 09h12 Atualizado 31/10/2026 15h36 Mais de 320 mil pessoas foram às ruas em várias cidades na França , em uma nova jornada de protestos que têm como principal alvo o elevado custo de vida no país, mas que incluem queixas contra a

Por Admin ·

Sob forte esquema de segurança, protestos na França reúnem 320 mil pessoas, diz governo

31/10/2026 09h12 Atualizado 31/10/2026 15h36

Mais de 320 mil pessoas foram às ruas em várias cidades na França , em uma nova jornada de protestos que têm como principal alvo o elevado custo de vida no país, mas que incluem queixas contra a desigualdade e a violência das forças de segurança. As autoridades relatam que os atos ocorreram em relativa calma, mas que houve episódios isolados de violência: ao fim do dia, foram confirmadas 296 detenções ao redor do país.

O GLOBO no Mundo : Receba as notícias internacionais direto no seu celular 'Risco à ordem pública': Paris decreta toque de recolher em região central antes de novos protestos contra custo de vida Entenda: O que se sabe sobre os protestos na França e qual a disputa ideológica em torno dos atos de violência?

Diante de um dia classificado como de "risco muito elevado", duas semanas após os distúrbios de 17 de outubro, o governo mobilizou 70 mil policiais e reforçou diversas medidas de prevenção e controle. Porém, até o início da noite não foram registrados grandes enfrentamentos. Em Paris, cerca de 70 mil pessoas foram às ruas, o maior número dentre as principais cidades francesas.

Entre 550 mil e 800 mil pessoas, segundo estimativas, participaram das manifestações de 17 de outubro, marcadas por cenas de caos, saques a estabelecimentos comerciais, incêndios em prédios públicos e confrontos com as forças de segurança. Diante dos "numerosos apelos aos saques registrados nas redes sociais", o ministro do Interior já havia afirmado na quinta-feira que o esquema de proteção ao comércio adotado em 24 de outubro seria "renovado e reforçado". Também advertiu para um "risco muito elevado de perturbações da ordem pública".

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Ao final da jornada deste sábado, o Ministério do Interior disse, em comunicado, que as manifestações "ocorreram dentro do escopo das manifestações declaradas". Acrescentou ainda que "elementos radicais" "tentaram, em várias cidades (Bordeaux, Toulouse, Rennes, Lille, Nantes, Marsella, Lyon), ao final da manifestação, entrar nos centros urbanos para (cometer) atos de vandalismo e saques". As autoridades confirmaram 296 detenções ao redor do país até as 18h do horário local, 14h em Brasília.

Para este sábado, era esperado que 350 protestos reunissem entre 350 mil e 450 mil pessoas no total, informou uma fonte policial. Outra fonte ouvida pela AFP chegou a mencionar um "clima pré-insurrecional". Foram autorizadas apenas manifestações afastadas dos centros urbanos. Em Paris, o trajeto aprovado foi o proposto pela autoridade policial, entre a Porte de Bagnolet e a Porte de Charenton, na periferia da capital.

A polícia parisiense também proibiu outros percursos previstos para o dia.

— Há tensão e temores renovados entre os comerciantes — declarou à AFP a Aliança do Comércio, entidade que representa grandes redes varejistas e estabelecimentos do centro da cidade.

Já a rede de Câmaras de Comércio e Indústria da França (CCI France) lembrou que, dos 2.500 estabelecimentos afetados pelos distúrbios, 600 ainda não reabriram. Na sexta-feira, vários comércios reforçavam suas medidas de proteção, especialmente nos arredores do bairro da Ópera de Paris, constatou um fotógrafo da AFP.

Mais de mil agentes municipais estarão mobilizados durante o fim de semana para "garantir a recuperação do espaço público", informou a Prefeitura de Paris, que afirmou ter retirado elementos urbanos que poderiam ser usados para provocar danos.

Também foi decretado um novo toque de recolher em determinados setores de Paris para as noites de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira, entre 23h e 6h, medida que vem sendo adotada em diversas cidades francesas nos últimos dias.

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Em Bordeaux, no sudoeste do país, a autoridade policial autorizou a manifestação, ao contrário da semana anterior, embora preveja um dia "difícil" e possíveis "ações violentas". A prefeitura municipal manifestou preocupação com um trajeto "muito próximo do centro urbano". Em Lyon, a polícia deu luz verde para uma marcha afastada da região central, que ainda apresenta marcas dos distúrbios de 17 de outubro, quando um prédio do órgão de turismo foi incendiado. Em Marselha, apenas manifestações previamente declaradas serão permitidas. Em Rennes, um protesto foi proibido por falta de acordo entre autoridades e sindicatos organizadores sobre o trajeto.

Esta terceira jornada de mobilização contra o alto custo de vida ocorre na esteira do movimento estudantil do ensino médio. Desde meados de setembro, diversos manifestantes, incluindo menores de idade, ficaram gravemente feridos ou sofreram mutilações durante operações de manutenção da ordem. Segundo o Ministério do Interior, 1.193 policiais e gendarmes também ficaram feridos.

As manifestações, que replicam movimentos semelhantes em curso em outros países europeus, servem como elemento adicional de pressão sobre o meio político, a menos de seis meses da eleição que escolherá o sucessor, ou sucessora, do presidente Emmanuel Macron . As pesquisas dão vantagem à líder do Reagrupamento Nacional (extrema direita), Marine Le Pen , mas ainda sem os votos suficientes para uma vitória no primeiro turno. Logo atrás vem Jean-Luc Mélenchon, representante do França Insubmissa (esquerda), e só depois aparecem os nomes centristas ligados ao atual governo, em uma demonstração inequívoca da impopularidade de Macron na França.

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