Só à noite vai se saber o nome do eleito

Debate civilizado como o da Globo tem algo de monótono. Tanto é assim que o momento mais eletrizante foi o último bloco, quando eles passaram a se insultar. Isso não foi consequência de uma preferência pelo baixo nível, mas resultado de um

Por Admin ·

Só à noite vai se saber o nome do eleito

Esse segundo debate pode definir votos de quem não ia votar, ou virar votos em branco ou nulos, mas virar de Bolsonaro para Lula (ou vice-versa), a chance é mínima.

Uma eleição esquisita, parecida com o rei Luís 17 da França, o que não houve.

Lula tratou a verdade com mais carinho do que Flávio Bolsonaro, fez muito bem em dispensar o terno de enterro do debate da Band e pareceu mais jovem. Quando sua assessoria diz que ele é teimoso, conta uma verdade. Pelo menos dez vezes ele listou realizações do seu governo , todas inúteis, salvo aquelas em que expunha a atitude anticientífica e debochada de Jair Bolsonaro durante a pandemia (700 mil mortos).

Terminado o ciclo de pesquisas e debates, o resultado da eleição é imprevisível , e o eleitor sabe o que não quer, como sabia em 1989. Então, não queria Lula. Noves fora o desastre da pandemia, Flávio Bolsonaro subscreve as políticas do governo de seu pai.

Passada quase uma década desde 2018, os ponteiros estão no mesmo lugar, como se o tempo estivesse congelado. A direita refinou-se, mas é a mesma, a começar pelo sobrenome. Basta dizer que Flávio Bolsonaro aceita a escala 5x2, enquanto naquele ano o candidato a vice da chapa do capitão atacava o 13º salário. Afora esse detalhe, a eleição de 2026 é como se não tivesse existido. Em relação a 2022, um candidato é o mesmo e o outro é o filho do derrotado que tentou dar um golpe e acabou preso.

Neste sábado saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Deu 51x49 .

Continua de pé a previsão do banqueiro André Esteves: "A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem ."

O grande derrotado da campanha eleitoral foi o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com suas decisões monocráticas escalafobéticas.

Fica ressalvado o papel do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, que evitou maiores desastres.

Contados os votos, Lula e Flávio se deram conta de que, para um, a blindagem de Lulinha e, para outro, o estilo debochado usado no debate da Band foram más ideias, produzidas pela onipotência.

Saiu nos Estados Unidos "The Last Best Place on the Internet: A Human History of Wikipedia" (O Último Melhor Lugar da Internet: Uma História Humana da Wikipédia), do jornalista Richard Cooke. Conta a história do sucesso da enciclopédia eletrônica Wikipédia, uma ideia improvável que entrou na internet em 2001 e se transformou num dos maiores acervos de informações do planeta.

Uma enciclopédia grátis, que viria a ser editada em 300 idiomas, alimentada por voluntários. Sem patrocinadores, parecia ser coisa de algum doido, intoxicado pelas leituras da escritora libertária russo-americana Ayn Rand (1905-1982).

A Wikipédia tornou-se a maior enciclopédia produzida pelo gênero humano, com 7,2 milhões de artigos e 278 mil editores. Lê-los levaria 20 anos, sem uma hora de sono. Seu site recebe 508 milhões de visitas por dia. É o triunfo do caos produzido por uma coletividade.

As enciclopédias apareceram no século 18, mas em 1945 o cientista americano Vannevar Bush, um visionário da sociedade digital, imaginou uma cápsula do tamanho de uma caixa de fósforos, vendida ao preço de um jornal, com o conteúdo da Encyclopaedia Britannica. Em 1990, a Britannica vendeu 100 mil edições nos Estados Unidos. Seis anos depois, vendeu 6 mil. Ela mantém sua relevância na rede, de graça, como a Wiki.

A Wikipédia não foi a primeira enciclopédia eletrônica, também não teve um pai perfeitamente identificável, nem produziu bilionários. Ela saiu do caos, de graça. Cooke ensina que um fenômeno como a Wikipédia nasceu da fertilidade do terreno da cultura dos Estados Unidos.

Eremildo é um idiota, acredita em todas as promessas dos candidatos e nas suas declarações de bens .