A Shopee ampliou em 60% sua capacidade de processamento de pedidos para atender à temporada de compras de novembro. Além da Black Friday, no dia 27, o calendário da plataforma ainda inclui a campanha de liquidação do 11/11. A expectativa da empresa é que o próximo mês seja o melhor da operação desde que o marketplace de Cingapura desembarcou no Brasil, há seis anos. Para isso, a empresa abriu quatro novos centros de distribuição (CDs) para acelear as entregas e vai liberar quase R$ 50 milhões em cupons de desconto.
Os detalhes da operação foram anunciados por executivos da plataforma durante visita ao CD de Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo.
Os quatro novos CDs ficam nas regiões metropolitanas do Rio, Recife (PE), Vitória (ES) e Blumenau (SC). Além disso, a companhia triplicou a área operacional da unidade de Piracicaba (SP). Os valores investidos não foram revelados.
Juntos, os novos centros logísticos adicionam 2,4 milhões de pedidos na capacidade de processamento diária da Shopee, um aumento de 60% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Com as inaugurações, a empresa passa a contar com 30 CDs no Brasil. Do total, 25 são no modelo cross-docking, servindo como um entreposto de encomendas enviadas pelos vendedores. Outras cinco unidades são de fulfillment, quando o estoque dos vendedores é gerenciado pela Shopee.
A malha logística da plataforma ainda conta com 200 hubs de primeira e última milha e 5 mil agências.
Diretor de Desenvolvimento de Negócios e Operação de Fulfillment da Shopee, Felipe Lima explica que os investimentos em novos CDs fazem parte da principal aposta da companhia para a data: a aceleração das entregas.
Outras ações nessa frente foi o lançamento de modalidades de entrega como o Chega Amanhã — disponível em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Goiânia e Porto Alegre —, e o Turbo, em até 4 horas, com foco na capital paulista:
— No primeiro trimestre deste ano, reduzimos em 1,8 dia o tempo médio de entrega, na comparação com o ano passado.
Uma pesquisa feita pela Shopee aponta que os consumidores esperam gastar uma média de R$ 691 na plataforma durante o 11.11, valor 25% superior ao registrado em 2025. Já na Black Friday, a quantia prevista chega a R$764, crescimento de 20% na comparação anual.
Em 2025, os produtos mais vendidos nas datas promocionais de novembro foram PlayStation 5, placas de vídeo, smart Tvs e aparelhos de ar condicionado. Para esse ano, a expectativa dos executivos é que produtos de tíquete mais alto se mantenham na lista de prioridades dos consumidores.
— Temos previsões de muito calor neste fim de ano, então esperamos uma procura alta por ar condicionado — cita Lima.
Apesar dos juros altos e do nível de endivamento das famílias, que têm sido apontado por varejistas em crise como fatores que tem impactado negativamente as operações, a expectativa da Shopee é alta.
Para produtos mais caros, a plataforma aposta no pagamento via SParcelado, o "carnê" da Shopee que permite parcelamento estendido em até 12 vezes.
Enquanto isso, a Shopee também traça cenários para um segmento de consumo que ainda engatinha no e-commerce: os medicamentos. Há um mês, o Mercado Livre anunciou a expansão das vendas de remédios, apassando a comercializar também aqueles que exigem receita médica . A novidade, porém, aconteceu antes de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regular a venda de medicamentos em marketplaces .
Na Shopee, o clima é de compasso de espera. Hoje, cerca de 40 grupos de farmácias operam na plataforma, mas vendendo apenas itens como cosméticos e produtos de higiene, destaca o diretor de Desenvolvimento de Negócios do marketplace:
— Acompanhamos de perto as discussões na Anvisa para regulamentação. Precisamos ter mais clareza antes de fazer qualquer movimento. O entendimento que temos hoje é que os medicamentos precisarão sair das farmácias, e nós conseguimos garantir isso através das entregas Turbo. O medicamento não seria armazenado no nosso CD.