Série 'Desaparecida' captura desde o início

01/11/2026 07h00 Atualizado 01/11/2026 07h00 O streaming é abarrotado de suspenses sobre pais à procura de filhos sequestrados. Basta fazer uma busca no Google usando as palavras-chave “sumiço de criança” e “série” para encontrar inúmeros

Por Admin ·

Série 'Desaparecida' captura desde o início

01/11/2026 07h00 Atualizado 01/11/2026 07h00

O streaming é abarrotado de suspenses sobre pais à procura de filhos sequestrados. Basta fazer uma busca no Google usando as palavras-chave “sumiço de criança” e “série” para encontrar inúmeros títulos em todas as plataformas. Pensei logo nisso quando comecei a assistir, com descrença, a “Desaparecida”, primeira produção australiana da AppleTV. Apesar da premissa manjada, entretanto, já no primeiro episódio (são seis, todos disponíveis), o enredo me capturou.

O personagem central é Ian (Patrick Brammall. Ex-policial, ele mergulhou no alcoolismo há 11 anos, quando sua filha Maggie evaporou de casa misteriosamente. Nunca se perdoou por não ter protegido a menina de apenas 3 anos. Seu casamento com Debbie (Jessica Wren) terminou depois da tragédia. Ela refez a vida ao lado de outro companheiro e agora está grávida.

Ian é um solitário. Tem relações casuais, mas não se envolve com ninguém. Nas sequências iniciais, somos informados de que ele está sóbrio há seis meses (mas logo volta a beber). É um anti-herói decaído, um sujeito atormentado, preso no passado, sem capacidades para a felicidade. Tanto sofrimento o tornou autodestrutivo.

O protagonista abandonou o antigo emprego de policial e trabalha atendendo a telefonemas no serviço de emergência. Um dia, ouve a voz de Maggie pedindo socorro. É o gatilho para abrir velhas feridas e dar início a uma nova investigação. Policiais voltam a trabalhar no caso, mas Ian corre por fora, desesperado por acreditar que eles não estão se esforçando o bastante.

A história segue uma progressão linear e bastante previsível. Há guinadas, pistas falsas, muitos impasses e alguns (poucos) furos do roteiro. “Desaparecida” tem eletricidade, mas cativa sobretudo por razões alheias ao suspense: ela se aprofunda na construção de seus personagens. Eles têm densidade, suas falhas são expostas, sem caricaturas e dramalhão. Além disso, ninguém está ali por acaso: o roteiro oferece ótimas oportunidades para todos os atores.

Brammal se destaca. Uma das grandes forças da série é esse personagem multidimensional e muito bem construído. O espectador estabelece logo uma conexão solidária com ele. O ator calibra com precisão a mistura de desespero, amargura e fúria.

Outra figura interessante é Donald (Daniel Henshall), amigo de Ian e seu padrinho nos Alcoólicos Anônimos. Ele tem um irmão, Henry (Brendan Cowell), e uma cunhada, Jenna (Maxine Peake). Esse núcleo vai ganhando centralidade à medida que a história avança. Através deles, a série aborda o radicalismo ideológico.

A série foi gravada em Victoria e tem fotografia bonita. Vale seguir até o fim para conferir o desfecho, muito bem-amarrado. Dizer mais seria spoiler.

Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.