Daquela noite, guardo alguns flashes. As imagens vão ficando mais nítidas conforme o tempo passa e eu vejo mais shows da banda —outro em Porto Alegre, um no Rock in Rio , diversos em São Paulo e um no interior da Holanda.
Tudo culminou na apresentação da noite desta quinta-feira, no Cine Joia, em São Paulo, o penúltimo show do Sepultura. O quarteto vai encerrar as atividades , depois de 42 anos, com um concerto derradeiro, no Suhai Music Hall, também na capital paulista, neste sábado.
Eu e a maioria das mil pessoas que estavam na casa de shows no bairro da Liberdade conhecíamos em detalhes o repertório, músicas que foram a trilha de diferentes fases das nossas vidas. Fui adolescente e virei adulto, batendo cabeça em repetidas audições dos discos da banda, curioso com cada escolha artística deles.
Mesmo com a familiaridade, as mais de 20 músicas que o Sepultura executou nesta quinta ganharam uma energia nova, crua e urgente. A bateria soava mais seca, como se saída de um disco de metal dos anos 1980; a guitarra era mais distorcida; o baixo vibrava no corpo; o vocal se ouvia mais rasgado.