Peña tomou posse em agosto de 2023, com mandato até 2028. Sua chegada ao poder garantiu mais anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Stroessner. A única interrupção foi o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, derrubado por impeachment em 2012 . A legenda domina a vida política do país desde o século 19.
Peña foi representado pelos seus advogados e não compareceu ao Congresso. Sua saída coroa uma semana turbulenta, marcada pelo escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, principal banco digital do país, com 2,9 milhões de clientes. O colapso da instituição financeira congelou os depósitos de milhões de clientes e provocou uma onda de protestos. Agora, Peña perde a imunidade e poderá ser processado criminalmente.
A investigação respingou em Peña , ex-investidor da holding do banco e responsável por, em 2023, nomear Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.
O presidente é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno e de omissão na fiscalização por parte do Banco Central. Segundo a oposição, Penã supostamente teria intervido de maneira indevida no órgão que administra as aposentadorias e a saúde dos trabalhadores. O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo Previdência.
A Procuradoria-Geral anunciou a abertura de uma investigação criminal contra o presidente. O caso ganhou no país o apelido de "Master paraguaio", pelas semelhanças com o escândalo brasileiro, embora seja uma crise distinta, centrada no Ueno Bank e no Grupo Vázquez.
Peña renunciou na quinta (5), dias após a crise explodir , em meio ao avanço do processo de impeachment. A saída, porém, não foi formalizada pelo Congresso, que suspendeu a análise do pedido enquanto dava prosseguimento ao julgamento político.
A distinção tem consequências importantes para o futuro do presidente. Caso a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia assumir o cargo de senador vitalício, condição reservada aos ex-presidentes paraguaios que garante imunidade parlamentar e direito a participar dos debates, sem votar.
Agora, com o impeachment, Peña pode ser alvo de processos judiciais.
A saída do liberal tornou-se praticamente inevitável quando seu próprio partido, o Partido Colorado, passou a apoiar seu impeachment . A retirada de apoio de Horacio Cartes, ex-presidente e principal liderança da legenda, foi decisiva para isolar o mandatário e abrir caminho para sua saída.
Cartes havia sido o principal padrinho político de Peña. Durante seu governo, o atual presidente ocupou o Ministério da Fazenda, entre 2015 e 2017, e foi com o respaldo do ex-presidente que construiu a candidatura vitoriosa nas eleições de 2023.