Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após escândalo financeiro

O Senado do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Santiago Peña , nesta sexta-feira (6), ao fim de um processo tenso, marcado por embates e protestos às portas do Congresso . Com a decisão, que alcançou a maioria de dois terços da Ca

Por Admin ·

Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após escândalo financeiro

Peña tomou posse em agosto de 2023, com mandato até 2028. Sua chegada ao poder garantiu mais anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Stroessner. A única interrupção foi o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, derrubado por impeachment em 2012 . A legenda domina a vida política do país desde o século 19.

Peña foi representado pelos seus advogados e não compareceu ao Congresso. Sua saída coroa uma semana turbulenta, marcada pelo escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, principal banco digital do país, com 2,9 milhões de clientes. O colapso da instituição financeira congelou os depósitos de milhões de clientes e provocou uma onda de protestos. Agora, Peña perde a imunidade e poderá ser processado criminalmente.

A investigação respingou em Peña , ex-investidor da holding do banco e responsável por, em 2023, nomear Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.

O presidente é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno e de omissão na fiscalização por parte do Banco Central. Segundo a oposição, Penã supostamente teria intervido de maneira indevida no órgão que administra as aposentadorias e a saúde dos trabalhadores. O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo Previdência.

A Procuradoria-Geral anunciou a abertura de uma investigação criminal contra o presidente. O caso ganhou no país o apelido de "Master paraguaio", pelas semelhanças com o escândalo brasileiro, embora seja uma crise distinta, centrada no Ueno Bank e no Grupo Vázquez.

Peña renunciou na quinta (5), dias após a crise explodir , em meio ao avanço do processo de impeachment. A saída, porém, não foi formalizada pelo Congresso, que suspendeu a análise do pedido enquanto dava prosseguimento ao julgamento político.

A distinção tem consequências importantes para o futuro do presidente. Caso a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia assumir o cargo de senador vitalício, condição reservada aos ex-presidentes paraguaios que garante imunidade parlamentar e direito a participar dos debates, sem votar.

Agora, com o impeachment, Peña pode ser alvo de processos judiciais.

A saída do liberal tornou-se praticamente inevitável quando seu próprio partido, o Partido Colorado, passou a apoiar seu impeachment . A retirada de apoio de Horacio Cartes, ex-presidente e principal liderança da legenda, foi decisiva para isolar o mandatário e abrir caminho para sua saída.

Cartes havia sido o principal padrinho político de Peña. Durante seu governo, o atual presidente ocupou o Ministério da Fazenda, entre 2015 e 2017, e foi com o respaldo do ex-presidente que construiu a candidatura vitoriosa nas eleições de 2023.