A uma distância de 444 anos-luz da Terra, há um aglomerado estelar aberto chamado Plêiades, também conhecido como Messier 45 (M45) ou “As sete irmãs”. Na noite desta terça-feira (27), elas estarão bem próximas da Lua, da perspectiva do nosso planeta.
Sobre o aglomerado estelar das Plêiades:
• Trata-se do objeto Messier mais próximo da Terra e um dos mais proeminentes do céu profundo, com magnitude de 1,6;
• Objetos Messier são regiões do céu inventariadas pelo astrônomo francês Charles Messier no Catálogo de Nebulosas e Aglomerados Estelares, publicado originalmente em 1771, com a última edição realizada em 1966;
• M45 é vista como uma mancha azulada próxima ao “ombro” da constelação de Touro;
• Para um observador a olho nu, geralmente as Plêiades aparecem como uma cópia menor da Ursa Maior cercada por uma nuvem de poeira – um padrão azulado de seis estrelas em destaque (embora haja uma quantidade maior, com mais de 100 estrelas visíveis com telescópio comum entre mais de mil estimadas).
Não, você não leu errado: seis estrelas em destaque. Mas, então, por que são chamadas de “As Sete Irmãs”? Você vai saber mais adiante onde está a sétima estrela principal.
“M45 é dominado por jovens estrelas azuis e quentes, formadas nos últimos 100 milhões de anos. O brilho azulado dessas estrelas refletido nas nuvens de gás que envolvem o aglomerado torna a visão deste pedaço do céu noturno ainda mais interessante”, explica Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital.
A extensão total do Complexo das Grandes Plêiades, como apareceria no céu noturno se todas as estrelas da lista de membros fossem visíveis a olho nu. – Crédito: Andrew W. Boyle et al
De acordo com o guia de observação astronômica In-The-Sky.org, a aproximação máxima da Lua com as Plêiades será às 22h38 (pelo horário de Brasília), quando elas estarão a apenas 58,6 minutos de arco de distância.
“Minutos de arco” é uma unidade de medida usada em astronomia para indicar ângulos muito pequenos no céu. Se um arco completo tem 360º, 60 minutos de arco equivalem a um grau. Logo, a distância entre a Lua e as Plêiades durante o encontro será um pouco menor que isso.
Do ponto de vista de um observador em São Paulo, por exemplo, o par se torna acessível às 21h13, a uma altitude de 12° acima do horizonte nordeste. Elas alcançarão seu ponto mais alto no céu à 1h27 de quarta-feira (28), a 42° acima do horizonte norte, desaparecendo perdidas no crepúsculo às 4h42, a 23° acima do horizonte noroeste.
A Lua está no terceiro dia da fase cheia (tecnicamente, na gibosa minguante, uma interfase antes da minguante), 93% iluminada, em magnitude de -12,7, e a magnitude de M45 será de 1,3, com ambas na constelação de Touro. Quanto mais brilhante um objeto parece, menor é esse valor (relação inversa). O Sol, por exemplo, que é o corpo mais brilhante do céu, tem magnitude aparente de -27.
O par não estará perto o suficiente para caber no campo de visão de um telescópio, mas será visível a olho nu ou através de um par de binóculos.
O aglomerado das Plêiades – também conhecido como Messier 45 (M45) ou “As Sete Irmãs” – é um dos agrupamentos estelares mais famosos e facilmente visíveis a olho nu no céu noturno. – Crédito: Alexandru Canpan – Shutterstock
Onde está a sétima estrela?
Se o aglomerado é visto como um padrão de seis estrelas, por que então ele é chamado de “As Sete Irmãs”?
De acordo com o guia de astronomia Starwalk Space, a razão é que a aparência do céu era diferente nos tempos antigos, quando o nome foi criado. Naquela época, observadores conseguiam ver instantaneamente e a olho nu as sete estrelas principais.
Com o tempo, uma delas desapareceu da vista. A mudança foi causada por Pleione, uma estrela de brilho variável, que mudou de posição no céu com o passar dos séculos. Ela acabou chegando perto demais de Atlas, e ambas são vistas a olho nu como uma só estrela.