Seguranças de Flávio Bolsonaro dizem que ele não fez contato e omitiu agenda

Policiais legislativos que fazem a escolta do senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ) afirmaram a superiores que não conseguiram contato com ele nesta terça-feira (27) e que o viram pela última vez na segunda (26), quando o deixaram em casa no f

Por Admin ·

Seguranças de Flávio Bolsonaro dizem que ele não fez contato e omitiu agenda

Flávio tem escolta da Polícia Legislativa , ligada ao Senado , desde o começo do governo do pai, em 2019. Durante as eleições , o senador dispensou o serviço da Polícia Federal, ao qual teria direito por ser candidato à Presidência, e continuou com a equipe do Congresso Nacional .

Duas pessoas disseram à Folha , sob condição de anonimato, que os policiais explicaram que Flávio não enviou a agenda desta terça. As informações costumam ser repassadas com antecedência para que o grupo se organize e saiba a que horas deve encontrá-lo. Sem a agenda, policiais disseram a superiores que tentaram contato com o senador na manhã desta terça, mas não conseguiram. A última notícia sobre o paradeiro de Flávio, portanto, seria da véspera, quando ele foi deixado em casa, em Brasília. A equipe não passa a noite no local.

Todos os seguranças envolvidos se apresentaram ao trabalho nesta terça e estão na capital federal. A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Senado, mas ainda aguardava resposta na noite desta terça.

Um dos últimos a conversar com Flávio antes do sumiço foi o senador Rogério Marinho (PL-RN). Ele relatou tentar contato com o ex-candidato pela manhã, recebendo como resposta uma única mensagem de texto. "Ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. Foi a única comunicação que eu tive com ele, acho que em torno de 8h", disse. Por volta do mesmo horário, Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, respondeu a outro interlocutor dizendo que estava deitada com o marido.

Advogados de Flávio também afirmam que a fuga ocorreu à revelia da equipe jurídica e que o clima é de perplexidade, pois em uma reunião na tarde de segunda-feira o senador teria garantido presença em encontro com a bancada do PL na próxima semana. Por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Flávio estava proibido de deixar o Brasil e deveria entregar o passaporte à Polícia Federal na manhã desta terça. A ordem foi descumprida , de acordo com a PF. Na segunda-feira, Flávio visitou o pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, por volta das 11h. Foi na saída do condomínio do ex-presidente que o senador foi intimado pela PF a entregar seus passaportes, segundo Flávio afirmou em vídeo.

O senador também participou, na hora do almoço, de uma reunião com a cúpula de sua campanha, quando foi aconselhado a desistir de questionar o resultado das urnas e entrar apenas com uma ação eleitoral de abuso de poder por parte da campanha de Lula.

Participaram da reunião os advogados da campanha, Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, além de Vicente Santini, amigo e também advogado do senador, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Rogério Marinho e Guilherme Derrite ( PP -SP), deputado e senador eleito. O anfitrião era o advogado Otto Medeiros, amigo do senador.