Sede da COP31, Turquia se tornou destino do lixo plástico da Europa

A algumas centenas de quilômetros pela costa do Mediterrâneo a partir de Antalya, onde a Turquia sediará no próximo mês a cúpula climática COP31 , fica a praia de Adanalioglu. Em sua faixa de areia, pedaços de plástico triturado do tamanho

Por Admin ·

Sede da COP31, Turquia se tornou destino do lixo plástico da Europa
"Certa vez, encontrei um pequeno pedaço de plástico turquesa dentro de um robalo", disse Ahmet Takar, 46, pescador amador que frequenta a praia. "Nos últimos anos, há menos peixes."

Especialistas responsabilizam as instalações de reciclagem da vizinha Adana, que processam resíduos do Reino Unido e da Europa , além de plástico doméstico, por permitirem que essas partículas escapem para o meio ambiente . Elas se acumulam nas margens dos canais de irrigação que alimentam o rio Seyhan, cujo curso deságua no mar Mediterrâneo a cerca de 20 km da praia. As correntes marítimas podem então carregar a poluição ao longo da costa.

Grande parte do mundo enfrenta um crescimento acelerado do volume de plástico descartado. A Turquia importa centenas de milhares de toneladas por ano, que podem envenenar a vida marinha, contaminar terras agrícolas e entrar na cadeia alimentar humana. E se espera que o volume de resíduos recebido pelo país aumente.

Antes da COP31, autoridades turcas e grupos ambientalistas pressionam por medidas mais rigorosas contra a poluição plástica e em favor da reciclagem. No ano passado, as negociações globais para reduzir os resíduos plásticos fracassaram porque alguns países queriam priorizar a coleta e a reciclagem, em vez de limitar a produção. Agora, a Turquia busca um compromisso para reduzir pela metade o crescimento do volume global de resíduos até 2035. O total gerado já supera 2,5 bilhões de toneladas métricas por ano.

"Nosso objetivo é colocar o desperdício zero e a redução do metano no centro da ação climática", afirmou em junho o ministro do Meio Ambiente da Turquia, Murat Kurum.

Grupos ambientalistas turcos também defendem cortes na produção de plástico e nas embalagens descartáveis, regras mais rígidas para a exportação de resíduos e maior responsabilidade dos produtores.

A UE concordou em reduzir os resíduos de embalagens, adotou regras mais rigorosas para exportações em maio e deve apresentar uma Lei de Economia Circular ainda neste ano, com o objetivo de estimular a demanda por plástico reciclado dentro do bloco. Ainda assim, também foi criticada pela indústria — incluindo a gigante de energia ExxonMobil Holdings Corp.— por não fazer o suficiente para apoiar novas tecnologias de reciclagem química.