"Estamos mais determinados do que nunca, mais resolutos do que nunca, a concluir o que começamos", disse Hegseth, em frente ao Pentágono e a uma placa com os dizeres "Departamento da Guerra", nome que ele prefere para a pasta.
Alguns parlamentares influentes do Partido Republicano , frustrados com a condução da guerra no Irã por Hegseth e com sua destituição de generais de alto escalão, já vinham pressionando o presidente Donald Trump a substituí-lo antes mesmo da derrota acachapante dos republicanos nas eleições de meio de mandato. Essas cobranças só aumentaram nos últimos dias.
Em declarações feitas no Salão Oval também na quinta-feira, Trump saiu em defesa de seu secretário de Defesa, afirmando que ele estava fazendo um "trabalho fantástico". Trump também defendeu a guerra no Irã, que o vice-presidente J. D. Vance apontou como um dos principais fatores por trás do desastre eleitoral nas eleições de meio de mandato.
"Estamos lá há sete meses e temos controle total daquele lugar", disse Trump, acrescentando que "ninguém é morto há muito tempo". Os iranianos "disparam um foguete de vez em quando", afirmou.
Hegseth adotou um tom semelhante em sua mensagem em vídeo, descrevendo a guerra como "um esforço corajoso e histórico que garantirá que o Irã jamais obtenha uma arma nuclear".
A maior parte da mensagem gravada foi dedicada às batalhas que ele vem travando para afastar das Forças Armadas oficiais de alta patente e ideias que ele e Trump consideram inaceitáveis.
"Por que os democratas e os radicais do Estado profundo realmente nos odeiam?", perguntou Hegseth. "Porque derrubamos seus intocáveis, um por um, e sem pedir desculpas."
Em seguida, ele se vangloriou de seu trabalho para encerrar programas destinados a tornar as Forças Armadas mais diversas. "A DEI é uma ideologia marxista criada para nos destruir, por isso acabamos com ela", disse, referindo-se aos programas de diversidade, equidade e inclusão que haviam se consolidado nas Forças Armadas.
Hegseth também falou sobre a proibição de militares transgênero nas Forças Armadas e a expulsão de jornalistas do Pentágono. Ele ainda defendeu os ataques das Forças Armadas a embarcações no mar do Caribe e no Pacífico Oriental que, segundo o governo Trump, transportavam drogas.
"Narcoterroristas devem morrer, não ser capturados e depois soltos", afirmou, referindo-se aos ataques que mataram dezenas de pessoas. Especialistas no uso da força letal afirmam que os ataques constituem execuções extrajudiciais ilegais.
O vídeo de Hegseth e a defesa feita por Trump dificilmente vão conter os apelos por seu impeachment ou afastamento do cargo. O deputado Jason Crow, democrata do Colorado, ironizou a mensagem de Hegseth.
"Depois de falhar com nossos militares e iniciar novas guerras intermináveis, Pete está desesperado para manter o emprego", escreveu Crow nas redes sociais. "O tempo está passando, sr. secretário. É melhor começar a empacotar suas coisas no camarim do Pentágono. Seu tempo acabou."