A Polícia Civil realizou uma operação, na manhã desta quarta-feira, contra uma rede criminosa investigada por produzir vídeos de exploração sexual de adolescentes, com registros de estupros coletivos, torturas, ameaças e chantagens. Agentes da 74ª DP (Alcântara) prenderam sete pessoas, entre elas, um 3º sargento do 1º BPM (São Gonçalo). A ação ocorreu em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio, e tinha como objetivo cumprir dez mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão.
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Segundo o delegado Antônio Salvino, o caso chegou à 74ª DP (Alcântara) em julho deste ano, depois que os pais de uma adolescente de 16 anos procuraram a unidade para denunciar os abusos sofridos pela filha. De acordo com ele, o casal percebeu uma mudança no comportamento da jovem e, ao conversar com ela, descobriu que os abusos ocorriam havia cerca de um ano.
Na sequência, os policiais prenderam Matheus Rodrigues Gonçalves, assessor parlamentar da Câmara Municipal de Niterói e do vereador Professor Túlio (PSOL), apontado como autor dos abusos contra a adolescente, em Icaraí, Niterói. Na ocasião, foram apreendidos dois notebooks e celulares na casa do investigado. A análise dos dispositivos eletrônicos e de imagens de câmeras de segurança permitiu avançar nas investigações e identificar outros integrantes do esquema criminoso.
— Depois que ela foi levada para o apartamento desse assessor, ela foi estuprada por três pessoas e gravaram ela. Com esses vídeos, chantageavam a vítima. A partir daí, ele criou uma rede social como se fosse a menina, chamando mais meninas para serem abusadas — afirmou o delegado.
Nesta quarta-feira, foram presos o 3º sargento da Polícia Militar Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, o assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone (PSOL), Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45 anos, e Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos, suspeito de filmar as agressões.
As outras quatro pessoas detidas são: João Lucas Figueiredo Perrenoud, 24, João Pedro Alecrim Soares, 25, Natã Marques Pereira, 28, e Carlos Otavio de Oliveira Soares da Silva, 29. Dois suspeitos ainda estão sendo procurados.
Eles irão responder pelos crimes de estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescentes, associação criminosa e tortura.
A investigação revelou uma organização criminosa que produzia vídeos de exploração sexual de adolescentes e usava o material para ameaçar as vítimas com a divulgação das imagens. A chantagem, associada a agressões físicas e psicológicas, era empregada para mantê-las sob controle e submetê-las a novos abusos. De acordo com a polícia, os integrantes do grupo se autodenominavam "senhores", enquanto as vítimas eram tratadas como "escravas".
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A operação desta quarta-feira contou com o apoio de unidades do 4º Departamento de Polícia de Área (DPA) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. A ação buscou reunir novas provas, esclarecer a participação dos investigados e identificar outros adolescentes que possam ter sido vítimas da rede criminosa.
Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas cabíveis ao policial militar preso. A corporação reiterou que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes. A polícia disse ainda que adota as medidas administrativas e disciplinares previstas, com o devido rigor, sempre que as irregularidades são devidamente constatadas.
Também em nota, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que foi "surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos". E completa: "minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres. As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas".
Já o vereador Professor Túlio, também do PSOL, disse ao site g1 que exonerou o assessor Matheus Gonçalves ainda em julho, assim que soube da prisão. O parlamentar afirmou que se solidariza com as vítimas e defende que o caso seja investigado e os culpados, responsabilizados.