Salvador dribla falta de ônibus e tem 85 mil votantes a mais após mobilização

Foi como se uma espécie de mutirão brotasse nas ruas da cidade sem nenhum aviso prévio. Assim que surgiram as primeiras notícias de atrasos e falta de ônibus em Salvador neste domingo (25), eleitores começaram a circular pelas vias para ofe

Por Admin ·

Salvador dribla falta de ônibus e tem 85 mil votantes a mais após mobilização

O movimento foi crescendo ao longo do dia nos terminais e pontos de ônibus. A oferta foi tamanha que algumas pessoas permaneceram nos pontos para organizar os eleitores de acordo com o local de votação. Os carros iam chegando, e os eleitores eram embarcados nos veículos de desconhecidos.

Com uma ampla mobilização nas ruas, Salvador driblou a falta de transporte e registrou um comparecimento nas urnas superior ao do primeiro turno. A capital baiana teve 85.476 eleitores a mais neste domingo comparado ao primeiro turno. O percentual dos eleitores que não foram votar caiu de 20,14% para 15,77% entre um turno e outro.

Os atrasos nos ônibus começaram nas primeiras horas da manhã. A prefeitura diz que uma parcela dos veículos atrasou a saída após terem sido adesivados com propaganda eleitoral, o que é proibido pela legislação.

A falta dos ônibus motivou uma série de ações do PT na Justiça Eleitoral. Em uma delas, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. O pedido foi revogado nesta segunda-feira (26).

Os relatos dos atrasos se espalharam e os grupos de carona solidária começaram a ser organizados nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.

Um grupo de voluntários criou o site SOS Salvador Caronas Solidárias, onde eleitores foram direcionados ao grupo de WhatsApp atuante em seu bairro ou região para receber carona até as zonas eleitorais. Eles estimam que pelo menos 5.000 pessoas conseguiram votar a partir da iniciativa.

A orientação aos voluntários era que não perguntassem em quem a pessoa iria votar nem falassem de candidatos ao longo do trajeto. Também foi orientado que os motoristas não carregassem adesivo, bandeira ou santinhos de candidatos no veículo.

O advogado Sérgio Augusto Pereira de Souza, professor da Escola Paulista de Direito, afirma que as caronas solidárias são legítimas e não configuram crime eleitoral. Segundo ele, o direito constitucional ao voto e à livre locomoção deve prevalecer sobre outras normas.

"Não vejo probabilidade alguma de dizer que houve um crime eleitoral porque um cidadão de livre e espontânea vontade ajudou outro cidadão a exercer o direito sagrado dele de votar na eleição", disse.