Essa divisão acompanha o voto no segundo turno: 98% dos eleitores de Lula (PT) dizem que Flávio fugiu, enquanto 95% dos que votaram em Flávio apontam como motivo exílio e perseguição. Entre os entrevistados classificados como de esquerda não lulista, 99% veem fuga. Na direita não bolsonarista, 95% adotam a versão de perseguição.
Para o cientista político Jairo Pimentel, coordenador da pesquisa, a análise dos dados mostra que "não há propriamente uma disputa sobre os fatos".
"Há duas leituras do mesmo fato, determinadas pela identidade política", diz. Ele acrescenta que o estudo sugere que o voto passou a "funcionar como uma espécie de filtro para interpretar a realidade".