Saiba como esquecer alguém que lhe faz mal no trabalho, na família ou no amor

"Aquela pessoa" é sujeito constante no livro do neurocirurgião japonês Michihito Sugawara. Aparece em ao menos uma centena de trechos, a começar pelo título: "Apague Aquela Pessoa da Sua Mente".

Por Admin ·

Saiba como esquecer alguém que lhe faz mal no trabalho, na família ou no amor

Sugawara usa a formulação repetidamente para reforçar a necessidade de esquecer alguém —um ex, um familiar ou um colega de trabalho . Com dicas objetivas, o livro se propõe a ensinar o leitor a esquecer uma pessoa excessivamente presente em seu cérebro.

O autor aborda como a amígdala cerebral atua para dificultar o processo. Fala sobre sintomas físicos relacionados à presença indesejada do outro. Também conta que seus pacientes relatam casos de insônia , febre e dores de cabeça nos dias de interação de com o objeto de trauma .

A amígdala cerebral tem duas funções importantes nesse contexto. Primeiro, como centro de comando das emoções, com destaque para detecção de perigos e controle de respostas como medo, ansiedade e fuga. Sugawara usa esse mecanismo para explicar a persistência da imagem "d’aquela pessoa" –assim, com aspas, é como o autor assinala.

Ao compreender alguém como uma ameaça, a amígdala emite diversos sinais, por vezes imprecisos. Alguns deles são prejudiciais.

Uma paciente relata, por exemplo, temer uma colega de trabalho após uma única interação. Na ocasião, a colega pedira a ela para falar mais alto em uma reunião, na frente dos demais. O suficiente para deflagrar um sinal de risco na amígdala e fazer com que não mais esquecesse a colega. A pobre desenvolveu dores de cabeça nos dias anteriores às reuniões de trabalho .

Secundário a isso, a amígdala tem a função emocional de fixar memórias de forte impacto afetivo ou traumático. Aqui cabem relacionamentos muito intensos que, de forma negativa ou positiva, terminam repentinamente.

Veja a seguir dicas do livro de Sugawara e de especialistas em relacionamentos para esquecer aquela pessoa.

No livro, o relato dos pacientes sugere uma premissa inicial: todos sabem que alguém os incomoda, mas ninguém associa seu mal-estar à interação com tal pessoa.

Por isso, a primeira dica é decifrar o poder do outro sobre você. Reconhecer que, de fato, a pessoa te incomoda e tem potencial para te desequilibrar.

Ao contar a um amigo sobre problemas com um ex-namorado, é provável que você receba como resposta um categórico "esqueça essa pessoa", "ela não merece sua atenção" etc.

Um equívoco, segundo o autor. Tentar ignorar a presença e a influência do outro em sua vida é o mesmo que confirmar ao cérebro uma ameaça, prolongando a ruminação.

A alternativa é reconhecer o incômodo e definir horários específicos para lidar com ele. Pode-se, por exemplo, separar uns minutos para pensar sobre o colega de trabalho que te irrita. Usar um cronômetro tende a reforçar a eficácia. O cérebro entende o momento dedicado a isso e reduz aos poucos a energia dispensada durante o dia.

Começar um livro, estudar um idioma , descobrir um hobby, praticar um exercício novo são formas de conter os pensamentos.

Não se deve ignorar o conselho anterior e enxergar isso como forma para cessar os pensamentos. Aqui o objetivo é usar essas atividades para naturalmente ocupar o cérebro, reduzindo o espaço para os pensamentos negativos.