O Rio de Janeiro registra um aumento recente de casos de Mpox, uma infecção viral transmitida pelo contato e que tem entre os sintomas lesões de pele. De acordo com o Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde, até a última terça-feira, 211 pacientes testaram positivo no estado, número que já supera o total de todo o ano passado: 119. O crescimento no número de registros é puxado pelos meses de setembro e outubro, que totalizam 90 diagnósticos, 45 cada, um número 800% maior do que o registrado no mesmo período de 2025 (dez). Ainda há 117 casos em investigação. Um novo subtipo do vírus que transmite a doença estaria em circulação no Rio, segundo especialistas.
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O risco de transmissão se inicia logo no surgimento dos primeiros sintomas, como febre, dores no corpo ou mal-estar. O vírus pode começar a ser transmitido de 1 a 4 dias antes do aparecimento das feridas. A transmissão só cessa quando todas as feridas cicatrizam completamente, ou seja, quando as cascas das lesões caem e a nova camada de pele se forma.
Contato direto: tocar nas lesões cutâneas, bolhas, pústulas ou crostas de uma pessoa infectada. Fluidos corporais: contato com saliva, secreções respiratórias ou fluidos genitais durante o ato sexual ou beijos. Objetos contaminados: compartilhar ou tocar em roupas, toalhas, lençóis, talheres ou superfícies que tiveram contato com o paciente. Via respiratória: contato próximo, prolongado e face a face (gotículas respiratórias)
A transmissão de Mpox pode ocorrer por contato próximo com secreções respiratórias, lesões de pele de uma pessoa infectada ou com objetos e superfícies contaminadas. Uma das situações de risco é a relação sexual. Membros da família e outros pessoas próximas a quem está com a doença também ficam mais vulneráveis à contaminação.
Veja as recomendações das autoridades de saúde para conter a disseminação da infecção:
Evitar contato físico direto com lesões na pele ou nas mucosas de pessoas com suspeita ou confirmação da doença; Evitar contato íntimo e relações sexuais na presença de sinais ou sintomas suspeitos, até avaliação por um profissional de saúde; Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas de cama e vestimentas, que possam estar contaminados; Procurar atendimento em uma unidade de saúde diante do aparecimento de lesões suspeitas, especialmente nas regiões genital, anal, oral ou em outras partes do corpo, acompanhadas ou não de febre e aumento dos linfonodos; Em caso de suspeita ou confirmação, seguir as orientações de isolamento e acompanhamento dos serviços de saúde, evitando contato físico próximo até a completa cicatrização das lesões e a formação de uma nova camada de pele; Buscar informações sobre a vacinação contra a Mpox, disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para grupos específicos, conforme as recomendações vigentes do Ministério da Saúde. Em casos de confirmação, manter abertas as janelas de locais fechados e, quando na presença de outras pessoas, fazer uso da máscara cirúrgica Fazer lavagem frequente das mãos A higiene do ambiente (chão e superfícies) pode ser realizada com água sanitária; Manter as feridas cobertas em caso de contato com outras pessoas; Em caso de banheiro único na casa, o paciente deve utilizá-lo por último; após o uso, deve ser feita a limpeza do ambiente; Os cuidados devem ser mantidos por, no mínimo, 21 dias, ou até as crostas caírem; Em caso de piora das lesões, retorne ao serviço de saúde para avaliação médica.
Existe vacina contra a doença, mas, no momento, as doses estão em falta no Sistema Único de Saúde. Utiliza-se o imunizante MVA-BN, composto por vírus vivo enfraquecido, que não se reproduz dentro das células humanas. O esquema padrão consiste em duas doses, aplicadas por via subcutânea no ombro, com um intervalo de 28 dias (quatro semanas) entre elas.
— Infelizmente, poucas foram as vacinas recebidas, e a maior parte da população de risco ainda não foi vacinada. Muitos países já têm essa vacina no seu calendário para toda a população de risco — afirma o deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de saúde.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Soranz explicou que esta é uma doença de fácil diagnóstico, mas que o vírus da Mpox está circulando com mais intensidade no Rio de Janeiro.
Risco para a população que convive com o HIV
Pioneira no enfrentamento da Aids na década de 1980, a médica infectologista Marcia Rachid vem alertando para a alta de casos de Mpox desde o início do mês, em suas redes sociais. Uma das fundadoras do Grupo Pela Vidda RJ, de suporte a pessoas que convivem com o HIV, Marcia destaca o impacto que a Mpox pode ter nesse público.
— Mpox é muito arriscado para quem vive com HIV, porque, se a pessoa estiver com a imunidade muito baixa, ela pode ficar numa situação muito grave. Já houve casos de óbitos — explica a médica, que atende esse público desde 1984 e iniciou seu ativismo dois anos depois.
As secretarias municipal e estadual de Saúde informam que acompanham a evolução do cenário, que, no momento, ainda não pode ser classificado como surto ou epidemia, explicam. E que promovem medidas de prevenção. Já o Ministério da Saúde não respondeu sobre a estratégia de imunização a ser adotada pelo Programa Nacional de Vacinação (PNI) diante do aumento de casos.
Entre as referências no diagnóstico, atendimento e acompanhamento da Mpox no Rio, está o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, no número 4.365 da Avenida Brasil, em Manguinhos. O local mantém, desde 2022, um serviço de atendimento 24 horas para pessoas com suspeita ou confirmação da doença.
O Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também faz o diagnóstico e acompanhamento da doença. O local fica na Avenida Carlos Chagas 791, Quadra F da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão.
Saiba como acontece a transmissão e as melhores formas de se prevenir da Mpox
O Rio de Janeiro registra um aumento recente de casos de Mpox, uma infecção viral transmitida pelo contato e que tem entre os sintomas lesões de pele. De acordo com o Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde, até