Sabatinas de Kassio e Mendonça expõem complacência do Senado

O candidato terrivelmente evangélico do ex-presidente Jair Bolsonaro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal sempre foi André Mendonça .

Por Admin ·

Sabatinas de Kassio e Mendonça expõem complacência do Senado

Mas foi Kassio Nunes quem recorreu à Bíblia e associou sua sabatina, em outubro de 2020, a um chamado de Deus.

Kassio citou o profeta Isaías: "Eu confio e nada temo".

Um ano depois, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou valores e princípios religiosos defendidos por André Mendonça como diferenciais do então candidato.

"Sou testemunha da sua lealdade não a pessoas, mas a princípios. Princípios judaico-cristãos", disse Flávio, durante a sabatina de Mendonça.

Ele foi acompanhado por Carlos Portinho (PL-RJ). Ambos optaram por não fazer perguntas ao indicado.

A fuga de Flávio Bolsonaro deixa o Senado sem o principal articulador da família para o plano de anistia ao pai, hoje em prisão domiciliar, e aos golpistas de 8 de Janeiro.

Até a renovação do Congresso, o epicentro da crise continua no STF .

O escândalo do caso Master expôs as suspeitas sobre os contratos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a firma de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, além da promiscuidade do PGR Paulo Gonet.

Continuam na berlinda André Mendonça (contratos do Iter) e Kassio Nunes (suspeito de promiscuidade em eventos com mulheres e pagamentos ao advogado Kevin Nunes, seu filho).

Os fatos e comentários a seguir, registrados na Comissão de Constituição e Justiça, são transcrições da Agência Senado.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "a demora de quase cinco meses para marcar a sabatina permitiu ao indicado [Mendonça] entender como cada senador pensa e imagina o Brasil de amanhã".

Alvaro Dias (Podemos-PR) disse esperar que essa indicação seja a última com "caráter político".

Ele abriu mão das perguntas ao indicado, "por economia processual".