O reconhecimento veio nesta terça-feira (27/10), durante a cerimônia da 68ª edição do Jabuti, realizada na Sala São Paulo, na capital paulista. Desta vez, a obra vencedora foi Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio , publicada pela Companhia das Letras.
A conquista tem um detalhe especial: em 2025, Ruy Castro havia vencido com um livro dedicado a Tom Jobim. Agora, o Jabuti reconhece uma investigação histórica sobre os efeitos da guerra no cotidiano dos brasileiros.
Além de vencer o Livro do Ano, a nova publicação também recebeu o prêmio de Biografia e Reportagem , garantindo ao escritor duas distinções na mesma edição.
Em 2025, Ruy Castro conquistou o prêmio principal com O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim , uma coletânea de crônicas sobre a vida, as histórias e o universo musical de um dos maiores compositores brasileiros.
Um ano depois, o escritor voltou a ser reconhecido por um trabalho de tema bastante diferente. Em Trincheira tropical , ele reconstrói o período entre 1935 e 1945 , quando os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial também afetaram a vida no Rio de Janeiro.
O livro mostra como a população conviveu com racionamento de produtos, blecautes, exercícios de defesa e disputas políticas . A narrativa também acompanha a mobilização brasileira para participar do conflito e seus efeitos sobre a cultura e os costumes da época.
Publicada em junho de 2025, a obra tem 448 páginas . O reconhecimento coloca dois trabalhos de assuntos diferentes no topo de edições consecutivas do Jabuti.
Nascido em Caratinga, Minas Gerais, em 1948, Ruy Castro começou a trabalhar como jornalista em 1967. Ao longo da carreira, passou por importantes veículos da imprensa brasileira e se dedicou à produção de livros a partir dos anos 1990.
Entre suas obras mais conhecidas estão biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda . O autor também escreveu sobre a bossa nova e diferentes períodos da história cultural do Rio de Janeiro.
Em março de 2023, tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) , onde ocupa a cadeira número 13. A trajetória reúne trabalhos jornalísticos, biográficos e históricos que antecedem o novo recorde no Jabuti.
Pelo título de Livro do Ano, Ruy Castro receberá R$ 70 mil e terá uma viagem custeada para participar de uma feira literária internacional em 2027.
O destino poderá ser Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara , conforme as opções previstas no regulamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela premiação.
A viagem inclui passagem, hospedagem e uma agenda de divulgação. Assim, além do recorde histórico, a segunda vitória consecutiva de Ruy Castro no Jabuti garante uma nova oportunidade de apresentar sua obra a leitores e profissionais do mercado editorial internacional.
Além da conquista histórica de Ruy Castro, o Prêmio Jabuti 2026 reconheceu escritores, ilustradores, tradutores e projetos de incentivo à leitura. A 68ª edição reuniu vencedores em 23 categorias, distribuídas em quatro eixos, além do prêmio de Livro do Ano.
Ruy Castro — Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio
Crônica: Humberto Werneck — Viagem no país da crônica
Escritor Estreante — Poesia: Juliana Cajives — História a que ninguém deu nome
Escritor Estreante — Romance: Mariana Lobato Botter — Pitangas verdes
Histórias em Quadrinhos: Luckas Iohanathan — Ouroboros
Infantil: Leo Cunha e Raquel Matsushita — A letra
Juvenil: Tathyana Viana — A única da sala
Poesia: Alberto Martins — Boris e Marina
Romance de Entretenimento: Ian Fraser — Cartografia para caminhos incertos
Romance Literário: Eliana Alves Cruz — Meridiana
Artes: Tulio Custódio — Abdias, intérprete do Brasil
Biografia e Reportagem: Ruy Castro — Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio
Economia Criativa: Martha Gabriel — A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial
Educação: Manuel Alves de Sousa Junior — Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade
Negócios: Mario Sergio Cortella — Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança
Saúde e Bem-Estar: Paulo Schiller — A paixão pela mentira: a família e as tiranias
Capa: Alles Blau Studio — Frans Krajcberg
Ilustração: Vinicius Sabbato — Guernica: a arte em busca da paz
Projeto Gráfico: Raul Loureiro — Dobra
Tradução: Rubens Figueiredo — O cavaleiro de bronze e outros contos e versos
Incentivo à Leitura — Projeto: Ricardo Barbosa da Silva — Cartovivências nas periferias da cidade
Livro Brasileiro Publicado no Exterior: Companhia das Letras e Métailié — Os substitutos
Incentivo à Leitura — Cultura Digital: Pedro Pacífico — Bookster
Personalidade Literária de 2026: Lygia Bojunga, escritora homenageada no ano em que sua obra A Bolsa Amarela completou 50 anos.