Dias depois da eleição que deu a vitória a Lula (PT), carros com adesivos da campanha do senador e bandeiras do Brasil fazem parte da paisagem em Foz. Em algumas cidades da região da tríplice fronteira, o senador chegou a ter 70% dos votos válidos no segundo turno, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Um dos foragidos mais notórios do 8 de Janeiro que permanecem na região é o ex-assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, 43, o Léo Índio, primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro . Ele está em Porto Iguaçu, do lado argentino, desde 2025.
A Folha esteve no endereço que ele declarou ao STF (Supremo Tribunal Federal) em março de 2025. Um homem que estava no local com seu cão disse que nenhum Leonardo vivia ali. No mesmo dia, Léo Índio deu entrevista a uma TV argentina.
"Me alegrou muito saber que meu primo saiu do Brasil, porque o destino dele seria o cárcere", disse à TV. Na conversa, ele chamou os eventos de 8 de Janeiro de "manifestação pacífica" e, sem evidência alguma, disse que os atos só terminaram em vandalismo por causa da ação de infiltrados.
Ao longo de três dias em Foz, a reportagem ouviu outras histórias de foragidos. A funcionária de uma loja disse que uma vizinha também havia se mudado para a cidade argentina. Uma motorista contou que um amigo, que também cruzou a fronteira, não pôde voltar para o enterro da mãe. Todos afirmaram considerar as penas injustas e criticaram a cobertura jornalística da tentativa de golpe. Nenhum quis dar entrevista.
Em 2024, o STF contabilizou 61 foragidos na Argentina em decorrência da tentativa de golpe, mas não detalhou quantos haviam entrado no país por terra nem por onde.
Dos 5 bolsonaristas mais notórios que buscaram o exterior para evitar a Justiça , 3 escolheram passar por Foz: Flávio, Carla Zambelli e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal.
Os outros dois chegaram aos Estados Unidos de avião: Eduardo Bolsonaro , diretamente, e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, depois de cruzar por terra a fronteira de Roraima com a Guiana.
Zambelli e Silvinei foram de carro até Foz. A ex-deputada dirigiu de São Paulo até o oeste paranaense, cruzou a ponte para a Argentina e, de lá, seguiu para os Estados Unidos e depois para a Itália. Tal qual Flávio, valeu-se de um passaporte italiano —que permitiu que ela permanecesse na Europa até o momento.