Ronnie, o garoto de 79 anos, está na capital para apresentação de sua turnê solo. O show celebra o álbum "Fearless", compilado lançado em 2025 com canções que costuram mais de seis décadas de carreira do artista como parte dos Stones, além de seus anos como integrante do grupo The Faces, projetos solo, parcerias com Jeff Beck e Rod Stewart e mais quatro faixas inéditas.
"As músicas que tocamos no show são novas para alguns públicos. Podem ser velhas para nós", diz Wood. A coletânea e a apresentação contam com clássicos como "Miss You" e "Hey Negrita", faixa que mostra como a guitarra de Wood sempre teve suingue e protagonismo.
"Com os Stones, a gente já tocou para umas quatro gerações, e hoje só quero fazer as pessoas felizes, ainda mais nesse mundo em que vivemos. A minha festa é no palco", diz. "Estou limpo há 16 anos, sem fumar há 11. Não sinto falta do tempo das drogas. Me sinto grato por estar vivo, me sinto melhor agora."
Nos últimos dez anos, Wood enfrentou duas vezes o câncer, mas nem a doença o tirou da estrada —a segunda vez coincidiu com a pandemia, e só assim para o artista ficar em casa. "Não estamos fazendo shows com os Stones, nem estamos pensando em sair em turnê", diz. "Então pensei: quero manter a forma, manter os dedos e a voz funcionando, então essa era a oportunidade ideal para juntar a minha banda ideal."
Fazendo jus à sua guitarra de sustentação —Wood foi baixista ao lado de Rod Stewart nos anos 1960—, o artista montou seu grupo. Reuniu os parceiros do início de carreira Andy Newmark, ex-baterista do Sly and the Family Stone, e Willie Weeks, baixista que tocou por anos com Aretha Franklin.
No palco, Wood também conta com a participação de Imelda May. A cantora irlandesa conheceu o Stone quando tinha 16 anos. "Eu era apaixonada por música e já frequentava alguns clubes e casas de show de Dublin —entrava nos bares escondida", conta ela. "Numa dessas ocasiões, o Ronnie estava hospedado em um hotel por perto e veio fazer uma jam session, tocamos algumas músicas juntos. Eu fiquei emocionada."
O reencontro só veio a acontecer décadas depois, quando May já havia trilhado uma carreira que a levara a tocar ao lado do antigo parceiro musical de Wood, Jeff Beck —que fez as apresentações oficiais entre ela e Wood. "Ele saiu correndo pela sala dizendo para todo mundo: ‘Você é a garota daquele clube de blues! Eu descobri você quando você só tinha 16 anos!’ E, desde então, somos grandes amigos."
A amizade vingou graças à melomania compartilhada pelos dois, uma paixão que mantém a dupla incansável na labuta. "A gente já sabe o que vai tocar, mas gostamos de mexer nos detalhes", conta May. "Eu falo para Ronnie que poderíamos fazer essa turnê sem ensaiar, mas não fazemos esses ensaios pelos outros —fazemos por nós mesmos, porque sempre tem coisinhas aqui e ali que vão funcionar melhor para nós."