Por volta das 16h15, o indicador, que mede o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar a Argentina em relação aos títulos do Tesouro americano, registrava alta de 6,30%, aos 1.049,41 pontos. É o maior patamar desde dezembro de 2024.
A incerteza também pressionava outros ativos argentinos. No mesmo horário, o preço do título público argentino com vencimento em setembro de 2029 recuava 2,50%, para US$ 48,185. Os rendimentos subiam de 8,4% para 9,2%
A queda dos preços indica que os investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter os papéis em carteira. Isso ocorre porque preço e rendimento dos títulos têm relação inversa: quando o primeiro cai, o segundo sobe.
O movimento reflete o temor de que a derrota do partido de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos reduza o apoio de Washington ao governo de Javier Milei.
Nesta terça-feira (3), o Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso americano . Com a apuração ainda em andamento, a oposição ao presidente Donald Trump havia obtido 251 das 435 cadeiras da Câmara, contra 155 dos republicanos. No Senado, os democratas já tinham garantido ao menos 54 dos 100 assentos.
Em outubro de 2025 , o presidente argentino contou com a ajuda de Trump para alcançar uma surpreendente vitória nas eleições legislativas.
Naquele mês, seu partido, A Liberdade Avança, enfrentou a votação em meio à queda do peso argentino e a um novo escândalo envolvendo um aliado do ultraliberal, mas conquistou a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado.
Duas semanas antes da votação, Milei foi à Casa Branca em busca de apoio , e os argentinos ouviram Trump ameaçar a parceria entre os dois países.
"Se Milei não ganhar, não seremos generosos com a Argentina", disse o americano a jornalistas durante o encontro. Às vésperas do pleito, o governo americano ofereceu um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões para evitar uma crise cambial.
A importância dessa relação é reconhecida pelo próprio governo americano. O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau , afirmou que a Argentina é atualmente o país mais alinhado aos Estados Unidos.
O desempenho dos ativos argentinos também é pressionado pelo ambiente de aversão global ao risco. No mercado acionário, as Bolsas americanas registravam fortes quedas. O S&P 500 recuava 1,56%, aos 7.483,54 pontos, enquanto o Dow Jones perdia 2,33%, aos 52.114,30 pontos. O Nasdaq registrava a maior baixa entre os três indicadores, de 4,87%, aos 24.482,76 pontos.
"Ativos de risco e mercados emergentes podem ser contaminados por esse movimento, com aumento do prêmio de risco sendo um dos efeitos de um ambiente mais cauteloso. Isso pode explicar parte da alta do prêmio exigido pelos investidores para comprar a dívida argentina [...] A possibilidade de menor apoio de Washington ao governo Milei pode estar pesando mais", afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Risco-país da Argentina dispara após eleição nos EUA e temor de menor apoio de Trump
O risco-país da Argentina dispara nesta quinta-feira (5), em meio ao temor de que o governo de Javier Milei receba menos apoio dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato no país .